OMS renova críticas a doses de reforço das vacinas contra a covid-19

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18/08/2021

A Organização Mundial da Saúde (OMS) voltou a afirmar nesta quarta-feira que os dados disponíveis atualmente não indicam a necessidade de aplicação de doses de reforço das vacinas contra a covid-19. Em um momento de escassez em várias partes do mundo, garantir que mais pessoas sejam imunizadas deveria ser uma prioridade, diz a entidade.

“Na semana passada, a OMS reuniu 2 mil especialistas de todo o mundo e eles debateram os dados disponíveis sobre o reforço. O que está claro é que é fundamental aplicar as primeiras doses e proteger os mais vulneráveis antes que o reforço seja dado”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em entrevista coletiva.

Segundo o diretor da OMS, apenas 10 países aplicaram 75% das vacinas contra a covid-19 produzidas até agora. Enquanto isso, os países mais pobres vacinaram apenas 2% de suas populações.

“Eu pedi uma moratória temporária das doses de reforço para ajudar a transferir os suprimentos para países que nem mesmo puderam vacinar seus profissionais de saúde e grupos de risco, e agora estão passando por grandes picos [de casos]”, disse Tedros.

O diretor do Programa de Emergências da OMS, Mike Ryan, também criticou as doses de reforço, pedindo prioridade para os países mais pobres. “Estamos planejando distribuir coletes salva-vidas extras a pessoas que já têm colete salva-vidas, enquanto estamos deixando outras se afogarem”, afirmou ele.

As novas críticas da OMS foram feitas após vários países, como Chile, Uruguai e Israel, terem iniciado a aplicação das doses de reforço, citando uma queda na eficácia dos imunizantes com o tempo. Os Estados Unidos devem confirmar ainda hoje que oferecerão a terceira dose em meados de setembro.

“A injustiça das vacinas é uma vergonha para toda a humanidade e, se não a enfrentarmos juntos, prolongaremos o estágio agudo desta pandemia por anos, quando ele poderia acabar em questão de meses”, acrescentou o diretor-geral da OMS.

O relatório semanal divulgado pela a OMS mostrou que 4,4 milhões de casos de covid-19 foram registrados em todo o mundo entre 9 e 15 de agosto. Os contágios estão subindo de forma constante nos últimos dois meses. Desta vez, a alta foi puxada pelo Pacífico Ocidental e pelas Américas. Mais de 66 mil pessoas morreram no período, cifra semelhante ao da semana anterior.

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