Juros futuros fecham perto da estabilidade à espera do Orçamento

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30/08/2021

Na véspera do prazo final do envio do Orçamento de 2022 pelo governo federal ao Congresso, os juros futuros fecharam perto da estabilidade nesta segunda-feira (30), ponderando questões domésticas de natureza fiscal e política. Enquanto ainda avaliam com cautela a resolução da situação envolvendo o pagamento de precatórios e aguardam pela definição do tamanho do novo Bolsa Família, analisando a divulgação de novos indicadores fiscais, agentes de mercado também observaram de maneira receosa a tensão política entre os Poderes, a uma semana das manifestações de 7 de setembro.

Finalizado o pregão regular, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 caiu de 6,76% no ajuste anterior para 6,74%; a do DI para janeiro de 2023 variou de 8,44% para 8,415%; a do contrato para janeiro de 2025 anotou alta de 9,35% para 9,36%; e a do DI para janeiro de 2027 passou de 9,71% para 9,74%.

Vale notar também que, hoje, os volumes de negociações foram limitados em relação às médias recentes. Às 16h18, o contrato de DI mais negociado era o com vencimento em janeiro de 2023, que tinha giro de 324 mil negócios, bem abaixo da média diária desse vértice em 2021, de 504 mil contratos negociados.

O ambiente de cautela continua a dar as cartas no mercado de juros. Apesar de dados de inflação e de resultados fiscais melhores do que o esperado pelos agentes, a curva não conseguiu exibir alívio maior, dado que o ambiente continua bastante ruidoso. Os desdobramentos em relação ao manifesto organizado pela Fiesp que pede a harmonia entre os três Poderes foram observados pelos agentes, no momento em que os temores relacionados ao feriado do Dia da Independência têm aumentado.

O manifesto, de acordo com a economista-chefe da Veedha Investimentos, “adiciona um tempero para essa percepção negativa do clima político, em um contexto de incerteza sobre o Orçamento de 2022, já que tem indefinição sobre os precatórios e o novo Bolsa Família”. A proposta orçamentária do governo será apresentada na terça-feira, às 14h30, e será seguida de coletiva com o secretário especial do Tesouro e Orçamento, Bruno Funchal.

Para a equipe de economistas do J.P. Morgan, liderada por Cassiana Fernandez, o ambiente não deve ser menos desafiador devido à inflação em alta. O banco elevou sua projeção para a inflação deste ano de 7,1% para 7,7% e, com a inflação elevada, o espaço fiscal para 2022 foi reduzido para cerca de R$ 15,3 bilhões. “Esse valor seria insuficiente para financiar um grande aumento no número de famílias amparadas pelo novo programa de transferência de renda se o pagamento médio aumentasse 50%, mesmo que o governo consiga reduzir o valor dos precatórios a serem pagos em 2022”, dizem os economistas.

Não por acaso, mesmo os dados melhores que o esperado do Governo Central tiveram impacto limitado na curva de juros. De acordo com o Tesouro, o Governo Central apresentou déficit primário de R$ 19,829 bilhões em julho, em um resultado bem melhor do que o esperado pelo mercado. Na avaliação do economista-chefe da XP, Caio Megale, o resultado retoma a tendência de surpresas positivas observada no primeiro semestre no campo da arrecadação.

Contudo, ele ressalta que o desempenho anual positivo “pode acabar por representar mais um risco do que um alívio diante da complexa situação fiscal atual, se visto como ‘bônus fiscal’ para o ano eleitoral”. Na avaliação de Megale, a proposta orçamentária a ser apresentada amanhã deve trazer sinais sobre o que esperar para 2022. “Uma alternativa que não crie espaço para novas mudanças no atual arcabouço fiscal será determinante para a direção da percepção de risco nos próximos meses.”

Cabe apontar que, desde o início do pregão desta segunda-feira, a ponta curta da curva de juros se manteve em baixa, em um movimento ligado aos dados de inflação do IGP-M, que vieram abaixo do esperado pelo mercado e mostraram desaceleração na passagem de julho para agosto. Apesar do alívio proporcionado pelo IGP-M, o Boletim Focus trouxe mais uma semana de deterioração nas expectativas de inflação de médio prazo, já que a mediana das projeções para o IPCA de 2022 subiu de 3,95% para 3,98% e, assim, se afastou ainda mais do centro da meta (3,5%).

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