O conceito de tecnologia aplicada no agro engloba a aplicação de soluções e processos inovadores que otimizam cada etapa da cadeia produtiva, desde a escolha da área para plantio, os processos culturais e produtivos, até a colheita, no caso da agricultura e, no caso da pecuária, até a venda do animal.
Ou seja, a garantia da eficiência na produção de carne bovina, por exemplo, está na necessidade de minimizar custos e maximizar índices produtivos, promovendo, assim, o sucesso financeiro e sustentável de toda essa a operação. E, para atingir esses índices, é preciso mais do que apenas conhecimento de campo.
Atualmente, o produtor rural passou a ter acesso a mais dados sobre sua fazenda, porém, não basta ter apenas esses números, se estes não forem precisos e confiáveis para que possam embasar as melhores tomadas de decisões. As inovações tecnológicas no agronegócio têm sido apontadas como uma alternativa para apoiar o enfrentamento ao seu maior desafio: aumentar a produção e eficiência produtiva, de forma sustentável.
Na pecuária, independentemente da vocação da fazenda, as escolhas passam, obrigatoriamente, por fatores importantes, como compra e venda dos animais, gestão de desperdícios, programação de dietas, entre outros itens. Portanto, para ser assertivo, é preciso contar com ferramentas que ajudem a otimizar a gestão garantindo ganhos financeiros.
Para o diretor da marca CV Nelore Mocho, Ricardo Viacava, o conceito de tecnologia avançada no agronegócio é bastante abrangente, e que pode estar baseado nas pesquisas e no melhoramento genético, animal ou vegetal, desenvolvimento de novos implementos e tecnologias, defensivos ou controle biológico de pragas ou até mesmo na combinação de sistemas produtivos, como consórcio de plantas e integração de sistemas, além, é claro, de ferramentas de monitoramento e gestão de manejos e das propriedades em si.
“O agronegócio brasileiro tem, em seu DNA, a inovação, basta olhar tudo o que foi feito nas últimas décadas. O Brasil passou de importador de alimentos para líder global na exportação de diversos produtos agropecuários, e tudo isso baseado em pesquisas e na adoção de tecnologias inovadoras”, destaca Viacava.
Obviamente que, num país continental como o Brasil, existem tipos heterogêneos de produtores e de propriedades, algumas na vanguarda mundial, enquanto outras ainda adotam uma postura extrativista de séculos atrás. “É fundamental que adotemos inovações tecnológicas para cumprir o papel de produzir cada vez mais utilizando de forma mais otimizada os recursos naturais de maneira sustentável, não só do ponto de vista ambiental, mas também econômico e social”, alerta.
Segundo ele, embora tenhamos muitas barreiras no que diz respeito à conectividade das propriedades rurais, vemos a tecnologia se alastrando. “Tem muita pesquisa sendo feita nas mais diversas áreas, muitas startups de tecnologia investindo, além das tradicionais agências como a Embrapa, empresas privadas e universidades, mas, na minha opinião, ainda esbarramos na dificuldade de difundir essas tecnologias, e o setor de transferência de tecnologia é lento e dependente dos órgãos estaduais para funcionar” , comenta.
Sobre o cenário atual do segmento e as perspectivas para o futuro, apesar das boas expectativas, ele diz que ainda há muitos gargalos em nossa cadeia produtiva, especialmente no que envolve as questões de infraestrutura de logística e armazenamento em nosso país, falta de crédito acessível aos produtores, bem como a ausência de um politica de seguro agrícola que atenda às necessidade dos produtores.
“Outro desafio é trazer segurança jurídica para as propriedades brasileiras. Do ponto de vista da perspectiva sou bastante otimista com o crescimento da demanda mundial e do fortalecimento das parcerias comerciais brasileiras”, avalia o diretor.
Na questão dos desafios para aumentar produção e, consequentemente, o faturamento, sem agredir o meio ambiente, Viacava diz que eles ainda são muitos e o aumento da produtividade é a peça chave nesta questão. Ele comenta que, na pecuária, ainda é preciso investir mais em melhoramento genético para melhorar a fertilidade média do rebanho brasileiro e também diminuir a idade ao primeiro parto das matrizes, para, assim, conseguir um melhor desfrute.
“Podemos mirar no exemplo da pecuária norte americana, que conta com um rebanho que é a metade do nosso e produz mais carne, e este resultado não é apenas baseado no sistema produtivo americano que é alicerçado em confinamento , mas depende, em grande parte, da fertilidade e precocidade das fêmeas do rebanho”, exemplifica Viacava.
Por fim, sobre como a adoção dessas novas tecnologias têm impactado no desenvolvimento sustentável do agronegócio, de forma geral, ele destaca que é possível dar diversos exemplos de como elas têm contribuído de forma muito importante do ponto de vista da sustentabilidade.
“O Brasil adota em larga escala o plantio direto, que reduz muito as emissões de carbono, vem ampliando também, de forma exponencial, os sistemas de integração ILP e ILPF, que tem impacto positivo do ponto de vista do sequestro de carbono, combustíveis renováveis, onde nosso pais é pioneiro no uso de etanol e agora também do SAF (Sustanable Airplane Fuel)”, lista Viacava.
Além disso, ele destaca o nosso código florestal, que é o mais moderno do mundo, e prevê medidas de preservação que não são vistas em qualquer outro lugar do planeta. “Mas isso não basta, temos que nos comunicar melhor, e mostrar aos consumidores nos grandes centros e também no exterior, o compromisso do Agro Brasileiro com a preservação dos recursos naturais”, conclui.