Os mercados globais amanheceram em turbulência na quinta-feira (3), um dia após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar um pacote de tarifas sobre importações de diversos países. A medida, que inclui uma taxação universal de 10% sobre todas as importações e tarifas específicas para cerca de 60 países, provocou quedas nas bolsas de valores e intensificou tensões comerciais.
A União Europeia, um dos principais alvos da nova política protecionista dos EUA, classificou as tarifas como um "grande golpe para a economia global". A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, alertou que o bloco prepara contramedidas, incluindo tarifas sobre produtos norte-americanos como uísque e motocicletas, que podem entrar em vigor ainda este mês.
A China, também impactada com uma taxação de 34%, pode enfrentar dificuldades para manter sua meta de crescimento de 5%, segundo especialistas. No setor financeiro, o Deutsche Bank e a agência Fitch avaliam que a medida pode reduzir entre 1% e 1,5% do crescimento dos EUA neste ano e provocar recessão em diversos países.
Brasil reage e avalia resposta
No Brasil, o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) divulgou nota lamentando a imposição de 10% de tarifas sobre produtos brasileiros. O governo considera que a decisão fere compromissos dos EUA com a Organização Mundial do Comércio (OMC) e pode impactar diversas cadeias produtivas.
Em resposta, a Câmara dos Deputados aprovou regime de urgência para o Projeto de Lei 2088/23 (PL da Reciprocidade), que permite ao governo brasileiro adotar medidas contra países que impuserem barreiras às exportações nacionais. O projeto, que agora segue para votação em Plenário, prevê tarifas sobre bens importados de países que restringirem produtos brasileiros por razões comerciais ou ambientais.
Apesar das novas tarifas, os EUA mantêm um alto superávit comercial com o Brasil, somando US$ 28,6 bilhões em 2024. Nos últimos 15 anos, os norte-americanos acumularam US$ 410 bilhões em superávit na balança comercial bilateral, o que, segundo autoridades brasileiras, contradiz o discurso de Trump sobre equilíbrio e reciprocidade comercial.