Terceira dose de Coronavac pode multiplicar proteção, mostram estudos iniciais

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11/08/2021

Uma terceira dose de Coronavac para quem já completou o esquema vacinal contra a covid-19 é eficaz para aumentar a imunidade contra o coronavírus. A conclusão está em dois estudos divulgados na terça-feira pelo fabricante, o laboratório chinês Sinovac, e comentados pelo Instituto Butantan, parceiro na produção do imunizante no Brasil.

As pesquisas foram feitas na China com dois grupos de voluntários, de adultos e idosos, e com dois diferentes intervalos entre a aplicação da segunda e da terceira doses. Os artigos estão publicados na plataforma medRxiv, em forma de pré-print, ou seja, ainda sem a revisão de outros cientistas.

Em um estudo, pessoas de 18 a 59 anos tomaram a dose adicional após seis meses da conclusão do esquema normal de vacinação (com duas doses). “E mostrou o que nós já sabemos: que com duas doses existe uma imunização e, após seis meses, se recebe uma dose adicional, a resposta é multiplicada de três a cinco vezes”, disse Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, em entrevista coletiva nesta quarta-feira.

No outro estudo, foi avaliada a resposta em pessoas com mais de 60 anos. Nesse grupo, a aplicação da terceira dose foi feita mais tarde, oito meses depois do esquema de duas doses estar completo. “A resposta foi até mais substancial: de cinco a sete vezes superior à resposta após as duas doses”, disse Covas.

Segundo o diretor do Butantan, a segurança de se tomar uma terceira dose da vacina também foi acompanhada nos trabalhos, e os resultados não demonstraram que haja risco em nenhum dos grupos. “Não houve mudança do perfil de segurança da vacina, que é a vacina, neste momento, mais segura entre todas que estão sendo utilizadas”, afirmou.

Para ele, as conclusões dos estudos não determinam que uma dose adicional seja necessária neste momento para quem tomou a Coronavac. São úteis, porém, para “preparar uma revacinação”.

“São resultados que confirmam a efetividade de uma dose adicional. Isso não quer dizer que está sendo proposta uma dose adicional. Isso depende de outros fatores, inclusive com relação ao problema da circulação de variantes. São dois estudos importantes, dois primeiros estudos a serem divulgados”.

Existem outras vacinas que estão realizando o mesmo tipo de estudo, mas ainda não houve divulgação.

De acordo com Jean Gorinchteyn, secretário de Saúde do Estado, a aplicação de doses adicionais já está sendo planejada para o ano que vem, como uma “prerrogativa” para todos os moradores de São Paulo, “independentemente do imunizante” que tenham tomado na campanha de 2021 contra a covid-19. Para isso, ele diz, a equipe da pasta tem acompanhado os resultados dos estudos nesse sentido com todos os produtos.

No fim de julho, o Ministério da Saúde anunciou que encomendou um estudo para avaliar uma dose adicional de vacina para aqueles que tomaram Coronavac. O trabalho, em parceria com a Universidade de Oxford, deve ficar pronto em novembro. A pesquisa medirá os resultados de um reforço com a própria Coronavac e os imunizantes da Janssen, Pfizer e AstraZeneca.

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