Taxas de juros têm viés de baixa com Tesouro, antes de atos no feriado

Testes, férias coletivas e outras medidas compõem o Plano de Contingência da empresa para prevenção, controle e redução de riscos de contágio

06/09/2021

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) encerraram a sessão com um viés negativo, principalmente no trecho longo, após o bem-sucedido leilão de títulos públicos do Tesouro Nacional aliviar parte da pressão, em meio à piora das estimativas trazidas no relatório Focus. O feriado nos Estados Unidos hoje e a cautela nesta véspera dos atos convocados para o 7 de Setembro enxugaram a liquidez dos negócios.

Ao final da sessão regular, o DI para janeiro de 2022 ficou com taxa de 6,875%, de 6,85% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 terminou projetando taxa de 8,66%, de 8,67%; o DI para janeiro de 2025 encerrou em 9,80%, de 9,83% no ajuste da última sexta-feira; e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 10,27%, de 10,30%, na mesma comparação. No mercado de câmbio, o dólar comercial caía 0,27%, cotado a R$ 5,1695, às 16h10.

“As manifestações esperadas para amanhã têm deixado o mercado cauteloso de maneira geral, em relação ao que pode acontecer e qual vai ser o real impacto”, resume o consultor de investimentos Renan Sujii. Segundo ele, os principais fatores a serem acompanhados em relação aos atos são o tamanho e a intensidade. “E aí na quarta-feira é que se saberá o impacto do que vai acontecer amanhã, em termos de preço e de risco”, emenda o consultor.

Na mesma linha, o economista-chefe da Valor Investimentos, Paulo Duarte, lembra que o mercado doméstico está em compasso de espera pelos atos desde o fim da semana passada e avalia que o importante é monitorar o que vem pela frente. “Existem alguns cenários. Caso as manifestações sejam grandes, pode aumentar o capital político do presidente [Jair Bolsonaro] e fortalecer a tramitação de reformas. Se for frustrante, pode ser que o oposto aconteça e o presidente saia enfraquecido”, prevê.

Portanto, o economista da Valor avalia que o que está em jogo é se haverá uma onda de crescente apoio ao governo ou se será algo mais pontual. Além disso, o feriado nos EUA hoje, em pleno pregão espremido entre o fim de semana e o feriado nacional, amanhã, compromete o volume financeiro dos negócios locais. “Então a liquidez é menor, alimentado pelo feriado e essa cautela dos investidores”, observa Duarte

Enquanto aguardam os desdobramentos dos atos convocados para amanhã, os investidores reagiram ao tradicional leilão de NTN-B, antecipado para hoje, no qual o Tesouro fez uma oferta um pouco maior que o mercado esperava e conseguiu vender integralmente todos os lotes. “Foi um sucesso absoluto. A ‘turma’ está com apetite”, resume o operador da Renascença, Luís Felipe Laudísio. Com isso, depois do resultado da operação a curva passou a “performar bem”, retirando prêmios.

Logo cedo, a piora generalizada nas previsões macroeconômicas, trazidas no relatório Focus do Banco Central, pressionou a curva a termo. “O Focus trouxe uma série de revisões, com piora significativa para o IPCA neste ano, por causa da energia afetando a inflação. Consequentemente, a Selic também foi corrigida”, observa o consultor Sujii, que não descarta novas revisões nas próximas pesquisas do BC. Ele acrescenta que a agenda econômica da semana também é importante com dados sobre inflação e varejo no Brasil.
06/09/2021 16:40:54

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