Restritas a bolha, menções a atos do 7 de Setembro perdem força no Twitter, diz Moldamais/AP Exata

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06/09/2021

O volume de menções e o engajamento pelas manifestações de apoio ao governo Jair Bolsonaro, previstas para terça-feira, perderam fôlego no Twitter nas vésperas do 7 de Setembro e estão restritos ao grupo mais fiel de apoiadores do presidente. A avaliação consta em estudo do banco digital Moldamais em parceria com a consultoria AP Exata, divulgado nesta segunda-feira.

Ao longo de sete dias até esta segunda-feira, foram analisadas 1,2 milhão de mensagens postadas por perfis públicos em 145 cidades de todos os Estados. O estudo também fez um comparativo com dois protestos anteriores de conteúdo claramente bolsonarista: o de 14 de março (contra medidas restritivas adotadas no combate à pandemia) e de 1º de agosto (e contra as urnas eletrônicas).

Os atos em defesa da PEC do Voto Impresso (rejeitada pela Câmara dos Deputados) tiveram mais repercussão (38,1%) do que os de 7 de Setembro (36,6%) dentro do volume de conteúdo analisado. Segundo a consultoria, ao contrário do que se viu nos dias anteriores ao 1º de agosto, as menções sobre o 7 de Setembro ficaram restritas à “bolha militante”.

Em 1º de agosto, houve registros de atos em 54 municípios, incluindo 25 capitais – somente no Acre e em Rondônia não foram identificados protestos, segundo levantamento feito pelo portal de notícias G1.

O estudo levanta três pontos a serem observados a respeito da adesão aos atos de terça-feira. O primeiro é a participação direta de Bolsonaro na convocação – o presidente deve ir pessoalmente às manifestações de Brasília e São Paulo. O segundo é a estratégia de tentar concentrar os atos na Avenida Paulista e, a depender da adesão, o registro pode servir “como vitrine do bolsonarismo nas redes”, nas palavras do estudo. O terceiro é o envolvimento de pastores evangélicos na convocação de fieis.

Ao longo da semana, o estudo identificou mais menções, na comparação com os protestos anteriores, a grupos específicos, tradicionais da base bolsonarista, como policiais militares, caminhoneiros e evangélicos. Nesse recorte, somente as menções a Forças Armadas foi menor agora, com 13,7% (ante 32,9% em março e 21,1% em agosto). O grupo com mais menções foi a Polícia Militar (64,4%), seguido por evangélicos (11,2%) e caminhoneiros (10,8%).

A consultoria, entretanto, também identificou a redução de menções tanto de evangélicos quanto de caminhoneiros na reta final. “Os caminhoneiros não apoiam a manifestações, enquanto categoria. O que vemos nas redes são manifestações de profissionais do setor, que falam de forma isolada”.

Para os autores do estudo, a redução das menções às Forças Armadas e a queda como um todo na véspera indicam que a possibilidade de uma ruptura democrática perdeu força, ainda que as menções à Polícia Militar siga relevante. “Não encontramos nas redes movimentos coordenados de insubordinação das PMs, apesar de haver menções pontuais de apoio ao governo.”

Com base na comparação com os atos anteriores e no arrefecimento das menções, em especial naquelas relacionadas às Forças Armadas, a consultoria entende que uma possibilidade de ruptura institucional perdeu força.

“Há uma percepção das redes de que o presidente consegue mobilizar a sua base de apoio. Mas o fato de os protestos lotarem ou não as ruas não deverá alterar o cenário político do país”, afirma o estudo.

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