Juros futuros fecham perto dos ajustes à espera de Powell e de olho em questão fiscal

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26/08/2021

Em uma jornada de enxugamento na busca por ativos de risco no exterior, o mercado de juros futuros experimentou poucas oscilações e fechou a quinta-feira perto dos ajustes do dia anterior.

Agentes financeiros aguardam pelo discurso na sexta-feira de Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), no simpósio dos banqueiros centrais em Jackson Hole, atentos a possíveis sinais a respeito do início do processo de redução de estímulos monetários.

Ao mesmo tempo, os investidores ponderam amostras de arrefecimento do ruído fiscal, monitorando o tratamento dado à questão dos precatórios.

No fim do pregão regular, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 passava de 6,73% no ajuste anterior para 6,755%; a taxa do DI para janeiro de 2023 variava de 8,45% para 8,47%; a do contrato para janeiro de 2025 subia de 9,41% para 9,43%; e a do DI para janeiro de 2027 ficava estável, a 9,79%.

O Tesouro voltou a dar alívio ao mercado nesta quinta-feira ao divulgar os editais dos leilões antes da abertura dos mercados. Além disso, apesar da queda firme das taxas nos últimos dias, o Tesouro optou pela cautela e continuou a ofertar uma quantidade pequena de papéis prefixados. Foram apenas 150 mil LTNs para três vencimentos e 100 mil NTN-Fs divididas em dois prazos. O risco embutido no mercado (dv01) foi de apenas R$ 112 mil com o leilão de hoje. O dv01 médio emitido por semana neste ano está em R$ 5,694 milhões, de acordo com a corretora Necton.

“Pela ótica do risco (dv01), com a sequência de cinco leilões bem pequenos, o Tesouro Nacional deixou de adicionar aproximadamente de R$ 18 milhões a R$ 19 milhões em dv01, o que ajudou em partes a reduzir a dinâmica de escalada nas curvas de juros”, aponta o estrategista Fernando Ferez, da Necton. A parte técnica, assim, voltou a ser fundamental para a dinâmica do mercado de juros futuros nesta quinta-feira e fez com que, durante boa parte do pregão, as taxas de prazos intermediários e longos se ajustassem em queda.

Gestor de renda fixa da Sicredi Asset, Cássio Andrade Xavier, observa que indicadores divulgados hoje pouco alteraram o comportamento da curva. “Tivemos dados fortes tanto nos Estados Unidos quanto aqui, mas que vieram bem em linha com o esperado”, afirma o profissional, ao se referir à segunda leitura do PIB americano do segundo trimestre e aos resultados do Caged. Sem grandes novidades, Xavier lembra que os agentes já estão à espera do discurso do presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, no simpósio de Jackson Hole.

Por aqui, a Expert XP também concentrou as atenções do mercado, ao reunir o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG). Durante a manhã, Fux defendeu a criação de uma fórmula para o pagamento dos precatórios que não representaria um calote e que seria bem aceita pelo mercado. À tarde, Guedes apontou que a solução apresentada por Fux é “excelente”.

Com os riscos fiscais ainda sobre a mesa, mas um pouco mais fracos, profissionais do mercado se atentaram a explosões no Afeganistão, que teriam sido um dos motivos para o estresse com ativos emergentes como um todo. O índice MSCI de mercados emergentes chegou a cair mais de 1% durante boa parte do pregão e o dólar exibiu valorização generalizada nesta quinta-feira. “A questão Afeganistão estava um pouco fora da pauta nos mercados, mas as explosões em Cabul podem ter feito o mercado se voltar a esse assunto e penalizar um pouco os ativos de risco”, observa um profissional do mercado.

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