Ibovespa tem recuperação de olho em Evergrande, Fed e Copom

Testes, férias coletivas e outras medidas compõem o Plano de Contingência da empresa para prevenção, controle e redução de riscos de contágio

21/09/2021

Um dia após encerrar no menor nível do ano (e desde 23/11/2020), a bolsa brasileira teve uma sessão de recuperação hoje, diante do arrefecimento do temor com a crise da dívida da Evergrande. Ainda assim, os ganhos não foram suficientes para zerar as perdas da véspera, com a queda acumulada no mês chegando a 7%. Agora, as atenções se voltam para as decisões de política monetária dos bancos centrais do Brasil (Copom) e dos Estados Unidos (Fed), amanhã.

Ao final da sessão regular, o Ibovespa fechou em alta de 1,29%, aos 110.250 pontos, não muito distante da pontuação máxima do dia, aos 110.923 pontos, e movimentando um volume financeiro de R$ 22,240 bilhões. O índice à vista não foi negociado em queda hoje, segurando-se ao redor da estabilidade (108.859 pontos), na mínima do dia. Com o resultado, o Ibovespa acumula perdas de 7,18% no desempenho parcial do mês.

Para o gestor Rossano Oltramari o dia hoje nos mercados foi bem mais tranquilo em relação a ontem, apesar das preocupações com a incorporadora chinesa e os riscos de contágio continuarem sendo assunto. “Mas hoje tem uma visão um pouco diferente do que era ontem. O problema parece não ser tão grande e talvez o governo [chinês] encontre alguma solução”, explica.

Além da melhora do humor no exterior, o possível acordo entre Executivo e Legislativo sobre os precatórios também deu ritmo aos negócios locais. “O mercado teve uma reação positiva à questão dos precatórios, que pode ser endereçada ainda que de forma paliativa, mas mesmo que a solução respeite o teto dos gastos e reduza a percepção de risco fiscal, acaba empurrando um problema para 2023”, pondera a economista-chefe da Veedha Investimentos, Camila Abdelmalack.

Portanto, tanto em relação à dívida da Evergrande quanto em relação à dos precatórios, o alívio dos mercados pode ser apenas passageiro. No caso da incorporadora chinesa, a possibilidade de intervenção por parte de Pequim para impedir casos extremos e baixa probabilidade de um efeito “bola de neve” podem prolongar essa sensação. “Os mercados globais devem ter uma recuperação assim que os planos do governo chinês se tornarem claros”, ressalta o estrategista de macro para Ásia do Lombard Odier, Homin Lee.

Com isso, o foco do mercado se volta para as decisões do Copom e do Fed. Para o especialista da Valor Investimentos, Bruno Mansur, os mercados mostraram certa postura mais conservadora hoje, à espera pelo desfecho desses encontros amanhã. “É grande a expectativa de início iminente do processo de ‘tapering’ pelo Fed e também de que forma os bancos centrais no mundo vão se comportar sobre a necessidade de continuidade ou não dos estímulos”, explica.

Entre as ações, as seguradoras figuraram entre os destaques de baixa, com as perdas lideradas por IRB ON (-1,84%) e Sul América Units (-1,74%). Na outra ponta, Meliuz ON disparou 13,60%, no topo do ranking dos destaques positivos. Já entre as blue chips, Vale e Petrobras subiram com +1,31% nas ações ON da mineradora e da petrolífera, enquanto Petrobras PN avançou 2,11%.

Nos bancos, Bradesco PN ganhou 1,35% e Itaú PN recuou 0,51%. Já as siderúrgicas não tiveram um rumo único. Do lado negativo, ficaram CSN ON (-0,93%) e Gerdau PN (-1,52%), enquanto Usiminas PNA subia (+1,68%).

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