Ibovespa fecha na menor cotação do ano com temor que Evergrande vire “Lehman Brothers”

Testes, férias coletivas e outras medidas compõem o Plano de Contingência da empresa para prevenção, controle e redução de riscos de contágio

20/09/2021

A bolsa brasileira fechou em queda acelerada, mas afastou-se dos piores momentos do dia, quando chegou a cair mais de 3%, buscando suporte na faixa dos 107 mil pontos. Ainda assim, o Ibovespa sustentou fortes perdas ao longo do dia, em meio ao temor de uma crise sistêmica por causa da dívida Evergrande, com queda generalizada das ações. Os investidores tem que eventual calote da gigante imobiliária possa resultar em um evento do tipo “Lehman Brothers” na segunda maior economia do mundo.

Ao final da sessão regular, o Ibovespa caiu 2,33%, aos 108.844 pontos, no nível mais baixo desde o fechamento em 23 de novembro de 2020 (107.379 pontos). Na mínima, o índice à vista foi até os 107.520 pontos, enquanto na máxima segurou-se na estabilidade (111.435 pontos). O volume financeiro somou R$ 24,9 bilhões. A apreensão também fez o dólar subir e fechou a R$ 5,33.

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“O dia foi de aversão ao risco por causa da Evergrande e o temor de contágio em outros mercados”, resume o gestor da Vitreo, Rodrigo Knudsen. Para ele, o movimento dos títulos dos Estados Unidos (Treasuries) evidencia essa fuga do risco. “A alta no rendimento dos bônus reflete essa angústia com o setor imobiliário chinês”, emenda.

Ainda assim, Knudsen lembra que a bolsa brasileira já vinha sofrendo com os problemas internos, em meio aos riscos fiscais e à crise política. “E acabou caindo mais com essa aversão global ao risco. Nada além disso”, completa. Em Nova York, os índices Dow Jones e S&P 500 perderam 1,78% e -1,70%.

Entre as ações, as empresas brasileiras relacionadas às commodities foram as que mais sofreram: Vale ON caiu 3,30%; CSN ON teve queda de 2,92%; Usiminas PNA cedeu 1,29%, Gerdau PN recuou 1,10%. O economista e sócio da BRA, João Beck, lembra que a China é um dos principais importadores das matérias-primas local.

“O caso Evergrande não só diminui a demanda pelo produto como ainda derruba o preço de commodities prejudicando a balança comercial brasileira”, explica. Mesmo assim, Beck avalia que o risco de uma contaminação global por causa do calote da dívida da incorporadora chinesa ainda é baixo.

No topo do ranking de maiores quedas ficou Braskem PNA (-11,54%). Na outra ponta, Copel PNB avançou 4,68%, figurando entre as poucas ações em alta, após a decisão de não exercer o direito de compra na Compagas. Também no campo positivo ficaram Sabesp ON (+1,81%) e CVC ON (+0,88%).

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