Ibovespa fecha em queda apesar da forte alta da Petrobras

Testes, férias coletivas e outras medidas compõem o Plano de Contingência da empresa para prevenção, controle e redução de riscos de contágio

05/08/2021

Nem mesmo a disparada nas ações da Petrobras, que reagiram ao forte balanço apresentado pela companhia na véspera, foi capaz de sustentar o Ibovespa em território positivo hoje. A queda nas ações da Vale, afetada pelo novo tombo nos preços do minério de ferro e novas incertezas fiscais pesaram nos mercados de renda variável nesta quinta-feira, fazendo o Ibovespa fechar distante de suas máximas do dia.

Após ajustes, o Ibovespa encerrou o pregão em queda de 0,14%, aos 121.632,92 pontos, após recuar 0,55%, tocando os 121.128 pontos nas mínimas intradiárias. Nas máximas, o índice chegou a avançar 1,42%, a 123.541 pontos. O giro financeiro foi de R$ 29 bilhões, dos quais cerca de R$ 8 bilhões estiveram concentrados nas ações ON e PN da Petrobras.

Os papéis da Petrobras concentraram a atenção dos investidores após os resultados expressivos anunciados no dia anterior. A estatal petrolífera anunciou que reverteu o prejuízo de R$ 2,71 bilhões apurado no segundo trimestre do ano passado e registrou lucro líquido de R$ 42,85 bilhões entre abril e junho deste ano, superando as previsões. Além disso, o anúncio da antecipação do pagamento de dividendos foi bem recebido pelo mercado. “Mantemos nossa recomendação de compra para Petrobras. Esperamos resultados operacionais sólidos e contínuos, como resultado de um ambiente de preços favorável e melhoria da eficiência, à medida que a empresa continua a simplificar seu portfólio. Embora as questões macro permaneçam um risco para o Brasil e outros emergentes, acreditamos que essas tendências devem ser positivas para o desempenho das ações”, afirmou o analista do Bank of America (BofA), Frank McGann.

Os papéis da companhia operaram em alta expressiva ao longo de todo o pregão e as ações preferenciais fecharam em alta de 7,88%, ante ganhos de 9,63% dos papéis ordinários.

Mas nem mesmo a alta expressiva da companhia, que possui peso elevado no Ibovespa, foi capaz de sustentar um dia positivo para o índice. Isso porque outra gigante do mercado local, a Vale ON, encerrou o pregão em queda de 3,06%, pressionada pelo tombo nos preços do minério de ferro, que caiu ao menor nível em 4 meses. “Vale e siderúrgicas sofreram hoje, com as perspectivas de que a variante delta deve diminuir o ritmo da atividade na China e a demanda por minério”, afirmou o sócio da Finacap Investimentos, Alexandre Brito. Apesar disso, ele não crê que o movimento deva se estender por muito tempo, já que a China foi um dos países que demonstrou melhor capacidade de gestão da pandemia, além de ainda possuir uma atividade econômica pujante.

Por aqui, operadores das mesas de renda variável e derivativos relataram desconforto com a percepção de que mais despesas são gestadas pelo governo, o que deve piorar a dinâmica das contas públicas. Segundo eles, o parecer do senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) sobre o programa de parcelamento de débitos tributários, conhecido como Refis, contribuiu para a piora do humor nos mercados domésticos. Os profissionais lembram que os ativos locais têm se mostrado sensíveis às notícias no campo fiscal, impactando os negócios.

“Existem muitos ruídos, tanto políticos quanto econômicos. A questão fiscal será uma pedra no sapato. Temos Bolsa Família turbinada, precatórios, reforma tributária. São muitas incertezas, e agora ainda mais o Refis. Na política, o imbróglio do presidente com o TSE pode gerar uma crise institucional, o que é longe de ser positivo”, afirmou o economista-chefe da Órama Investimentos, Alexandre Espirito Santo.

Como pano de fundo, os agentes também digeriram o comunicado mais duro do que o esperado do Banco Central na véspera, que indicou disposição em elevar o juro no país para o campo contracionista para fazer frente à recente alta inflacionária.

Assim, analistas destacam que papéis mais sensíveis às altas de juros, como construtoras e do varejo, fecharam o dia em queda firme. As ações da Cyrela ON caíram 2,92%, enquanto os papéis da Eztec ON recuaram 2,82% e da MRV ON fecharam em queda de 3,12%. Dentre as varejistas, a Hering ON caiu 2,23%, a Via Varejo ON cedeu 0,73% e a Renner ON recuou 0,63%.

As ações da Petrobras ON e PN tiveram ganhos de 9,63% e 7,88%, respectivamente, enquanto os papéis da Vale ON recuaram 3,06%.

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