Fintech Dock compra BPP e ganha força no Pix

Testes, férias coletivas e outras medidas compõem o Plano de Contingência da empresa para prevenção, controle e redução de riscos de contágio

06/10/2021

A fintech Dock (antiga Conductor), que atua com tecnologia para meios de pagamentos e digital banking na América Latina, acaba de anunciar a aquisição da BPP (Brasil Pré-Pagos), que é uma instituição de pagamento regulada pelo Banco Central. O valor da transação não foi revelado. Ambas atuam com banking as a service (BaaS) e a BPP ganhou destaque recentemente com o Pix, já tendo realizado mais de 100 milhões de transações no sistema de pagamentos instantâneos.

“Esse é um momento marcante para nós, pois acreditamos na sinergia entre as possibilidades de serviços que a BPP oferece e a nossa forma de atuação e visão de futuro”, explica Antonio Soares, CEO da Dock. “Estrategicamente, aceleramos nossa integração direta ao Sistema Financeiro Nacional, adicionamos grandes nomes à nossa carteira de clientes e ampliamos as soluções oferecidas. Escala e eficiência operacional são muito importantes”, completa.

A BPP é um participante direto do Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI), o que a permite conectar participantes indiretos à plataforma. Com a aquisição, os clientes da Dock terão mais uma opção para transacionar no Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), além das instituições financeiras já parceiras da Dock.

A transação dará à Dock um portfólio de mais de 200 clientes e parceiros. Os sistemas da fintech, que presta serviços para empresas (B2B), têm 38 milhões de contas ativas e processam cerca de 9 milhões de transações por dia. Além do Brasil, ela já atua no México, Peru e Colômbia. Entre seus clientes estão nomes como C6, Bitz, Bmg, BV, Crefisa, Dotz, Getnet, Mercado Pago, Neon, Pagbank, Cielo, entre outros. Em 2020, teve receita líquida de R$ 280 milhões.

Com a conclusão da aquisição, os cerca de 150 colaboradores da BPP se unem à Dock para. “Temos concluído passos importantes para a expansão dos nossos serviços para dentro e fora do Brasil. Estamos muito felizes com o momento atual da empresa e ansiosos para recebermos o time experiente da BPP na vibrante cultura Docker”, diz Soares. A Dock já tem 1,8 mil funcionários e está com mais 500 vagas em aberto.

Frederico Amaral, diretor de produtos e tecnologia da Dock, afirma que a visão de longo prazo da companhia é ser uma empresa global, começando pela América Latina. “Nós temos a matéria-prima para isso, porque a infraestrutura de serviços financeiros é a mesma em qualquer lugar do mundo. Eu acho ótimo que muitas empresas de pagamentos, bancos estejam indo para esse mercado na região, porque nós vamos de mãos dadas com eles, somos a infraestrutura de mercado deles”, diz.

Em agosto, a fintech unificou suas três marcas (Conductor, Dock e Muxi) sob um novo branding para a marca Dock, reforçando seu posicionamento e a oferta de serviços para emissão de cartões, digital banking, adquirência e riscos & compliance. Agora em outubro, trouxe três novos membros independentes para o seu conselho de administração: Patricia Pomies, COO da Globant; Mark Shifke, CFO da Billtrust; e Sam Schrauger, Global Head de Payments no Airbnb.

O Pipeline, site de negócios do Valor, mostrou em agosto que a Dock estava entre as brasileiras que devem abrir o capital nos EUA nos próximos meses, com uma expectativa de levantar mais de US$ 600 milhões. A oferta deve ser comandada por Goldman Sachs, J.P. Morgan, Bank of America e Credit Suisse. Questionada sobre o eventual IPO, a Dock não se manifestou.

No ano passado, a Dock realizou uma rodada de aporte de US$ 170 milhões, liderada por Viking Global Investors, com participação de Sunley House Capital Management, afiliada da Advent International, e Temasek. Antes disso, já tinha entre seus investidores a gestora Riverwood e a processadora Visa.

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