Exterior e Vale salvam e Ibovespa fecha pregão em leve alta

Testes, férias coletivas e outras medidas compõem o Plano de Contingência da empresa para prevenção, controle e redução de riscos de contágio

06/10/2021

O Ibovespa encontrou suporte na melhora do mercado externo – por conta de uma possível solução para o teto da dívida dos EU – e na queda das taxas de juros para fechar a sessão no campo positivo. Após ajustes, o índice subiu 0,09%, aos 110.559 pontos.

Nas mínimas intradiárias, o índice chegou a recuar mais de 2% pela manhã e testar os 108 mil pontos, aos 108.180 pontos, virando apenas na última hora de negociações. O volume transacionado na sessão foi de R$ 26,3 bilhões. Americanas ON subiu 7,31% e Magazine Luiza ON cresceu 5,70%. Rumo ON avançou 7,24% após anunciar projeções para o terminal rodoferroviário que liga Rondonópolis (MT) a Cuiabá (MT).

Logo depois, e com o maior peso do índice, a Vale valorizou 2,82% e ajudou a garantir o fechamento do dia em alta. “A recuperação da Vale deve-se ao nível atual de preços, que, segundo os analistas, está bastante descontado em relação aos pares australianos, sem falar da expectativa de manutenção da demanda por minério de ferro de alta no curto prazo”, diz o analista da Clear Corretora Rafael Ribeiro.

Os bancos também tiveram leve recuperação no final do pregão. Itaú PN subiu 0,32%, Bradesco PN cresceu 0,75%, Santander units avançou 0,35% e Banco do Brasil ON ganhou 0,16%.

Na outra ponta, Locaweb ON devolveu 4,46% e Braskem PNA perdeu 4,49%. Petrobras ON caiu 2,44% e Petrobras PN recuou 2,65%, em linha com o movimento do petróleo neste pregão. O futuro do Brent para dezembro recuava 2,08%, para US$ 80,84.

A melhora no ambiente dos mercados foi possível após confirmação de que o Partido Republicano deve apresentar uma solução de curto prazo para estender o teto da dívida americana. Com isso, o S&P 500 registrou alta de 0,41%, o Dow Jones subiu 0,30% e Nasdaq avançou 0,47%.

O líder da minoria republicana no Senado, Mitch McConnell, disse que o partido deve permitir que os democratas aprovem uma extensão do limite da dívida de curto prazo até dezembro, já que ambos os partidos buscam adiar o prazo final atual, que se encerra em meados de outubro, para que os EUA continuem pagando suas contas.

Tudo indica, no entanto, que o ambiente de volatilidade ainda continuará em cena. Localmente, o mercado digeriu a queda de 3,1% no volume de vendas no varejo restrito em agosto, frente a julho, na série com ajuste sazonal, segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira.

“O terrível número de agosto foi seguido de fortes revisões líquidas dos dados nos últimos meses. Duvidamos que este seja o início de uma tendência de baixa prolongada, mas os riscos se inclinaram substancialmente para o lado negativo”, afirma o economista-chefe de América Latina da Pantheon Macroeconomics, Andres Abadia.

Neste contexto, o banco de investimentos americano Jefferies rebaixou a sua recomendação de ações brasileiras para “moderadamente pessimista” (“modestly bearish”). “O Brasil representa um exemplo perfeito da interação entre a alta inflação local e aperto monetário contra a contração no setor imobiliário da China. O impulso impressionante da expansão econômica da China está desaparecendo rapidamente e o Brasil será a ‘cobaia’ na economia global.”

O dado também impactou as curvas de juros, ??reduzindo o prêmio associado à inflação. No fim da sessão regular, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro o juro do DI para janeiro de 2025 caía de 10,275% para 10,07% e o do DI para janeiro de 2027 recuava de 10,65% para 10,48%. “Nós vemos que existe uma gordura muito grande na curva longa de juros, que pode começar a se dissipar agora e beneficiar o mercado acionário”, diz Alexandre Brito, sócio da Finacap Investimentos.

Ainda na pauta, novos saltos nos preços de commodities energéticas, como o gás natural na Europa e do petróleo, vêm reforçando o temor dos agentes financeiros sobre uma dinâmica inflacionária mais persistente. Além das preocupações que o choque na oferta gera sobre o crescimento, também acentua a preocupação com uma normalização mais rápida da política monetária em economias desenvolvidas.

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