“É inadmissível” que mulheres ainda sejam chamadas de “descontroladas”, diz Tebet

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22/09/2021

Após receber apoio de diversos colegas, a senadora Simone Tebet (MDB-MS) afirmou nesta quarta-feira que é “inadmissível” que mulheres continuem sendo chamadas de “descontroladas quando ousam divergir.

“Vamos continuar essa luta. A mulher tem que ter voz e vez nessa sociedade. Quando a mulher, desde o século passado, ousava divergir, ela era chamada de louca, histérica. Nós trazemos isso até hoje. Quando a mulher ousa descordar, ela é chamada de descontrolada. Isso é inadmissível”, disse Tebet, que é líder da bancada feminina do Senado, composta por 13 parlamentares.

A fala foi uma resposta ao ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Wagner Rosário, que chamou a senadora de “descontrolada” em sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid na terça-feira e viu seu nome passar da condição de testemunha à de investigado.

A senadora também agradeceu o apoio dos colegas senadores, que reagirem imediatamente contra a ofensa proferida por Rosário.

“Importante também olhar o lado bom do que acontece: a atitude dos senadores da República que se fizeram presentes. Os senadores Otto Alencar, Randolfe Rodrigues, o líder do governo, senador Fernando Bezerra, todos fizera, a defesa intransigente dos direitos das mulheres. Senado tem homens públicos valorizados que também estão antenados com a questão da mulher.”

No episódio em questão, registrado durante sessão da CPI, ela fazia uma análise detalhada dos invoices (espécie de faturas para negociações internacionais) relacionados à negociação de compra da vacina indiana Covaxin. A senadora destrinchou algumas informações que comprovariam irregularidades nesses invoices, o que contraria o entendimento da CGU. Por conta disso, deu a entender que Rosário atuava como “engavetador” no órgão.

A crítica fez o ministro da CGU acusar a senadora de falar “inverdades”, em vez de rebater o ponto a ponto apresentado por ela na comissão. “Eu recomendo que a senhora leia tudo de novo, porque a senhora falou uma série de inverdades aí”, disse.

Tebet reiterou, então, que conhecia todo o processo de negociação entre o governo brasileiro e o laboratório indiano Bharat Biotech, num acordo intermediado pela Precisa Medicamentos. “Ele está se comportando como um menino mimado”, rebateu a emedebista.

A partir daí, Rosário elevou o tom. “Não me chame de menino mimado, eu não lhe agredi. A senhora está totalmente descontrolada, me atacando”, retrucou. A resposta o ministro da CGU gerou reação imediata de quase todos os senadores, principalmente da bancada feminina.

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