Dólar fecha estável com preocupação local anulando otimismo vindo do exterior

Testes, férias coletivas e outras medidas compõem o Plano de Contingência da empresa para prevenção, controle e redução de riscos de contágio

23/08/2021

A combinação de recuperação do apetite por risco no exterior com o delicado quadro político e fiscal no Brasil resultou em novo pregão de oscilações contidas e falta de direção clara nesta segunda-feira (23). Mesmo diante de um enfraquecimento do dólar contra a maior parte das divisas, emergentes ou desenvolvidas, a moeda brasileira acabou o dia na marca d’água, limitada pela cautela local.

Após tocar R$ 5,3455 na mínima intradiária e R$ 5,4015 na máxima, o dólar encerrou estável, em R$ 5,3802. No mesmo horário, ele caía 0,41% contra o peso mexicano, 0,12% frente ao rublo russo e 1,15% na comparação com o rand sul-africano.

Lá fora, o que deu sustentação aos ativos emergentes, em geral, foi a notícia de que a China não teve transmissão local de casos de covid-19 pela primeira vez desde julho. A perspectiva de que a segunda maior economia do planeta possa estar mais próxima de conter o o novo surto da doença deu impulso a commodities como o petróleo, que fechou em alta superior a 5%, e também às bolsas da região.

Outro fator que trouxe algum alívio foi a redução, na margem, dos temores de que o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), Jerome Powell, possa anunciar a redução do ritmo de compras de ativos, levando a moeda americana a ceder parte dos ganhos registrados recentemente, em especial contra os pares desenvolvidos. Por volta das 17h, o índice DXY da ICE cedia 0,56%, aos 92,97 pontos.

“Em nossa avaliação, Powell não tem incentivos para chacoalhar o barco e, portanto, irá evitar abrir as portas para um ‘taper’ [redução das compras de ativos] na sexta-feira”, escrevem analistas do Wells Fargo. “O mercado deverá ler isso como um sinal ‘dove’ [inclinado à manutenção dos estímulos]. Até porque, com a covid-19 obrigando o Fed a tornar o evento virtual, soar mais duro se torna uma tarefa mais difícil.”

No Brasil, no entanto, esse alívio relativo foi equilibrado pelo ambiente local mais desafiador. Embora reconheça que o real continua barato e que as altas da Selic podem trazer novo impulso de apreciação, o Bank of America permanece cauteloso dado os riscos fiscais. Atualmente, o banco americano não tem recomendações sobre a moeda brasileira.

Tudo somado, o BofA mantém sua projeção para o dólar terminando o ano em R$ 5,00. Além da Selic maior, as transações correntes dão suporte à avaliação da moeda. Por outro lado, os ruídos fiscais e eleitorais, bem como uma menor expectativa para o Investimento Direto no País (IDP) este ano — que passou de US$ 60 bilhões para US$ 50 bilhões —, atuam no sentido contrário.

A visão negativa sobre o real também aparece nos modelos quantitativos do Morgan Stanley, que apontam a alocação para a divisa brasileira perto das mínimas históricas. “O real permanece como a moeda preferida para se assumir uma posição vendida [apostando na queda] em nosso modelo, em meio a valuations caros, mesmo após a a rodada recente de depreciação”, diz o banco americano. O rand sul-africano vem logo em seguida, acompanhado da lira turca, que também viu sua avaliação piorar desde a semana passada.

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