Commodities puxam alta do Ibovespa nesta “Super Quarta”

Testes, férias coletivas e outras medidas compõem o Plano de Contingência da empresa para prevenção, controle e redução de riscos de contágio

22/09/2021

O alívio trazido pelo abrandamento da crise envolvendo a incorporadora chinesa Evergrande contamina positivamente o Ibovespa no pregão desta “Super Quarta”, que terá ainda decisões do Federal Reserve (Fed) e do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre política monetária.

Por volta das 13h40, o Ibovespa avançava 2,17%, aos 112.639 pontos, puxado pela recuperação das commodities. Usiminas PNA subia 8,84%, CSN ON ganhava 3,13%, Gerdau PN avançava 7,78% e Vale tinha valorização de 3,69%.

Entre as maiores companhias do Ibovespa, Petrobras ON ganhava 3,39% e Petrobras PN crescia 2,94%. Os bancos também demonstram tendência altista, com Itaú PN subindo 2,88%, Bradesco PN ganhando 2,66%, Santander units avançando 2,60% e Banco do Brasil ON saltando 3,10%.

Mas, apesar do alívio instantâneo após sinais de que a Evergrande pode cumprir seus compromissos de curtíssimo prazo, analistas entendem que o cenário continua complexo para as empresas exportadoras.

“O mercado está calmo hoje porque já está claro o que a China vai fazer no curto prazo, que é impedir o ‘default’ (calote) da Evergrande. O grande receio era a empresa ser abandonada pelo governo e criar um problema sistêmico. No médio prazo, as coisas não são tão simples assim”, diz Rodrigo Franchini, sócio da Monte Bravo.

“A questão do minério é diferente, porque precisa haver demanda no mercado. Este problema não foi resolvido, e nem vai ser. A China precisa recompor suas reservas, mas vai comprar em menor medida, porque a economia vai crescer menos. Por isso, esse curto prazo diz muito mais sobre uma redução no risco do crédito.”

Na mesma linha, um relatório do Bank of America rebaixou a Vale de compra para neutra. O banco diz que o crescimento da China é decepcionante e a política de aço do país, com cortes forçados na produção, diminui a demanda por minério de ferro e está conduzindo a uma grande correção de preços.

“A alta dos mercados pós-covid sustentada pelas commodities chegou ao fim”, diz outro parecer da instituição. O BofA vê, por outro lado, uma manutenção dos fundamentos de preços do alumínio para 2022 e 2023.

Na parte da tarde, investidores passarão a olhar com ainda mais atenção para o Federal Reserve (Fed). O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) divulga, às 15h (de Brasília), sua decisão de política monetária.

A taxa básica de juros norte-americana está entre 0% e 0,25%, e a expectativa é de manutenção nesse patamar. No entanto, o mercado espera também uma indicação clara de que a redução gradual do programa de compras de ativos (“tapering”) tenha início ainda neste ano. Isso impacta diretamente os mercados emergentes.

“O Fomc deverá ser mais uma vez cauteloso em seu pronunciamento de hoje sobre a retirada de estímulos e subida de juros”, diz Fábio Astrauskas, economista e CEO da Siegen Consultoria.

“No entanto, é certo que mais cedo ou mais tarde ambas virão, com pelo menos dois impactos na já combalida economia brasileira: o país ficará menos atrativo para a entrada de investidores do exterior e haverá mais pressão para o câmbio.”

Por aqui, as atenções estão no anúncio do Comitê de Política Monetária (Copom), que por sua vez deve subir a taxa Selic em 1p.p., e em Brasília. O mercado busca ainda mais elementos para precificar a questão do pagamento dos precatórios, que pode avançar após acordo entre Executivo e Legislativo.

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