Câmara aprova requerimento para que Guedes esclareça offshore em paraíso fiscal

Testes, férias coletivas e outras medidas compõem o Plano de Contingência da empresa para prevenção, controle e redução de riscos de contágio

06/10/2021

Em uma votação marcada por uma reviravolta, a Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira, por 310 a 142, um requerimento de convocação do ministro da Economia, Paulo Guedes, para prestar esclarecimentos sobre movimentações financeiros no exterior por meio de empresas offshore. Ainda não há data definida para que ele compareça ao plenário da Casa, mas a expectativa é que isso ocorra na próxima quarta-feira, dia 13.

Apenas o PSL, o PSC e o governo orientaram contra o requerimento de convocação de Guedes. Em defesa do chefe do ministro, o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), pediu que o requerimento fosse retirado de pauta e sugeriu que os deputados fizessem um acordo para transformar a convocação em um convite. Em troca, comprometeu-se a trabalhar para que Guedes comparecesse na próxima quarta-feira.

“O ministro tem explicações a dar e está disposto a fazer [isso]. Só não vejo razão de ser uma convocação. Queria propor que transformássemos a convocação em convite, que ele certamente atenderá com a presteza que tem tido com a Casa”, defendeu Barros. “Assunto é relevante. É adequado que [ele] dê explicações, embora já tenha explicado que a empresa não tem nenhuma relação com sua atuação como ministro da Economia”, completou.

No fim de semana, o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ) publicou uma série de reportagens, com base no vazamento de documentos batizados de “Pandora Papers”, citando mais de 330 pessoas públicas de 91 países e territórios que têm ou tinham empresas offshore, abertas em locais conhecidos como paraísos fiscais.

No Brasil, além de Guedes, o presidente do Banco Centra, Roberto Campos Neto e empresários também foram citados. Todos afirmaram que os recursos no exterior foram declarados aos órgãos competentes.

“O ministro Paulo Guedes, que controla a política econômica brasileira, que tem informações privilegiadas, obviamente está se beneficiando da política que ele controla. Da política fiscal, monetária, cambial. [Guedes] mandou quase US$ 10 milhões para paraísos fiscais”, discursou a líder do Psol na Câmara, Talíria Petrone (RJ), uma das autoras do pedido, afirmando que a oposição não estava disposta a recuar.

“Obviamente isso mostra que o senhor Paulo Guedes se beneficia da alta da inflação, do dólar nas alturas, enquanto o povo tem fome, enquanto metade da população vive sob insegurança alimentar, enquanto há quase 20 milhões de famintos no Brasil. Então, ele deve ser convocado para esta Casa para no mínimo explicar o inexplicável para os parlamentares brasileiros”, completou.

Inicialmente, partidos como PP, PSD e PL mostraram-se dispostos a transformar a convocação de Guedes em convite e chegaram a orientar o voto a favor da retirar o requerimento de pauta. Mas, diante da decisão de partidos da oposição de não fechar acordo para que o ministro fosse convidado, começaram a mudar suas orientações e demonstraram apoio à convocação.

Líder do PP na Câmara, Cacá Leão (BA), foi o primeiro a mudar a orientação. Ele é correligionário do presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), aliado do presidente Jair Bolsonaro. “Tentamos construir um acordo com a oposição para que a gente transformasse num convite, mas não foi possível esse entendimento. Há o entendimento da importância da vinda de Guedes a esse plenário para se esclarecer o que vem sendo falado na imprensa”, disse.

Guedes já havia sido convocado a prestar esclarecimentos nas comissões de Fiscalização Financeira e Controle e de Trabalho, Administração e Serviço Público da Câmara. A expectativa é que os colegiados abram mão de ouvi-lo para que ele fale no plenário da Casa.

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