Bolsonaro usa evento em igreja para defender Mendonça, que atribui indicação ao STF a Deus

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05/10/2021

O presidente Jair Bolsonaro usou o Simpósio Cidadania Cristã, realizado nesta terça-feira, na Igreja Batista Central de Brasília, como palanque para a defesa da indicação do “terrivelmente evangélico” André Mendonça para o Supremo Tribunal Federal (STF), que ainda depende da apreciação do Senado. O próprio ex-advogado-geral da União e ex-ministro da Justiça e Segurança Pública discursou no evento – e recebeu de um pastor uma prece para que possa integrar a Corte “no mais curto tempo de Deus”.

“André Mendonça tem uma bagagem cultural imensa. Sabe tudo sobre Direito e é evangélico, ou melhor, terrivelmente evangélico”, afirmou Bolsonaro ao microfone, fazendo referência à antiga promessa de indicar alguém “terrivelmente evangélico” para o STF.

“Esperamos que Mendonça seja aprovado. Eu não indico para o Supremo, indico para o Senado. Tem uma sabatina – creio que ele não terá dificuldades de ser questionado sobre questões jurídicas. E depois tem uma votação, que é secreta. Se for aprovado, se tiver 41 votos de 81, ele toma posse e segue para o Supremo”, completou.

O presidente indicou Mendonça para a vaga de Marco Aurélio Mello no STF em julho, mas até agora, em meio a sucessivas crises políticas, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado não agendou a sabatina com o ex-ministro.

Bolsonaro disse ter feito dois pedidos a Mendonça para quando ele tomar posse no STF: que faça uma oração dentro do Corte toda semana e para que o convide uma vez por mês para “tomar uma tubaína”. Nesse momento, disse que está à disposição para se reunir também com parlamentares, porque “os Três Poderes têm que remar na mesma direção para que nosso país vá para frente”.

Ao discursar, pouco antes do presidente, Mendonça, que além de advogado é pastor presbiteriano, disse que “o tempo de Deus é relativo” e que foi Deus que fez Bolsonaro indicá-lo ao STF. “Até 2005 eu não conhecia Brasília e, quinze anos depois, Deus pega um menino do interior de São Paulo e coloca ele diante de um presidente da República, que o indica para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. Deus faz coisas impossíveis”, afirmou.

O simpósio é promovido pela Confederação dos Conselhos de Pastores do Brasil, presidida pelo bispo Robson Rodovalho, fundador da Igreja Sara Nossa Terra. Bolsonaro foi ao evento acompanhado de sete ministros, entre eles Onyx Lorenzoni (Trabalho e Previdência), Marcelo Queiroga (Saúde), Anderson Torres (Justiça e Segurança Pública) e Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos), que também já declarou ser “terrivelmente cristã”.

Pandemia

Em seu discurso aos cerca de 600 pastores presentes no evento, Bolsonaro disse ter a “consciência muito tranquila” sobre sua atuação diante da pandemia, que matou 598 mil brasileiros desde março de 2020, segundo os números oficiais. “Fiz a minha parte”, disse Bolsonaro, que reiterou a defesa do suposto “tratamento precoce” contra a covid-19, comprovadamente ineficaz, e ridicularizou a cúpula da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid. “Temos que nos consultar com os Três Patetas da CPI?”

Bolsonaro disse ainda que o fato de ter se aconselhado com os médicos negacionistas Nise Yamagushi e Osmar Terra, seu ex-ministro da Cidadania, não configura a formação de um “gabinete paralelo”, como aponta a CPI. “Conversei com Nise Yamagushi, conversei com Osmar Terra e isso passou a ser gabinete paralelo. E conversei em lives, com embaixadores, com médicos do Brasil”, afirmou o presidente.

Nesta terça-feira, o relator da CPI da Covid, senador Renan Calheiros (MDB-AL), disse que “com certeza” pedirá o indiciamento de Bolsonaro em seu parecer final por crimes de responsabilidade e crimes contra a vida. Além disso, disse que, do ponto de vista do direito internacional, estuda acusar o presidente de crimes contra a humanidade e, relação aos indígenas, de genocídio.

7 de Setembro

Bolsonaro também se queixou da investigação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre os atos que ele convocou para 7 de Setembro. Na ocasião, Bolsonaro reuniu milhares de apoiadores nas ruas, chamou o ministro do STF Alexandre de Moraes de “canalha” e afirmou que não mais cumpriria suas ordens judiciais.

“Estamos mudando as cores do Brasil. Há poucos anos só se via vermelho por aí, hoje é um mar de verde e amarelo”, afirmou o presidente. “O TSE está investigando os ‘atos antidemocráticos de 7 de Setembro’. Quem financiou? Não tem do que nos acusar. São os saudosos da corrupção, dos desmandos.”

Bolsonaro fez ainda um apanhado do que chamou de tentativas de “destruir a família brasileira” supostamente feitas no passado, e disse que, caso não seja reeleito, elas iriam voltar. “Não podemos esquecer isso, pessoal, porque tem gente que, voltando ao poder, vai ressuscitar tudo isso aí.”

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