Agroecologia/Apaer: SP deve priorizar investimento público contra crise hídrica

25/05/2022

São Paulo, 25 – As negociações de sugestões para o Plano Estadual de Agroecologia e Produção Orgânica (Pleapo), previsto em lei no Estado de São Paulo, estão na reta final, pois o programa deverá ser concluído até o mês que vem. Uma das grandes preocupações é a crise hídrica, que deve ser combatida por meio da previsão de recursos públicos no plano, para estimular a produção agrícola a partir de Sistemas Agroflorestais. Essa é a avaliação da Associação Paulista de Extensão Rural (Apaer), que tem participado de forma ativa dos debates.

Nesta quarta-feira (25), o Pleapo encerra mais uma rodada de encontros, na qual a Apaer pretende chamar a atenção para o aumento da demanda por água, seja para irrigação, indústria ou para abastecimento urbano. No entanto, a falta de investimentos em extensão rural e pesquisas nos últimos anos, para mitigar os efeitos das mudanças climáticas, compromete a adoção de novas práticas ecológicas na agricultura paulista.

O Atlas da Irrigação, da Agência Nacional de Águas (ANA), de 2017, mostra que o uso dos recursos hídricos para agropecuária e consumo triplicou entre o início da década de 1980 e 2015. Segundo as previsões do estudo, a demanda por água pode dobrar até 2050.

O Pleapo está previsto na lei que criou a Política Estadual de Agroecologia e Produção Orgânica, sancionada em 2018 por Geraldo Alckmin, então governador de São Paulo. Pelo texto, o plano deve trazer um diagnóstico, além de estratégias e objetivos, com programas, indicadores, monitoramento e avaliação de resultados. Os encontros para elaboração do plano estão sendo realizados desde abril.

O presidente da Apaer, Antônio Marchiori, disse em nota que “a previsão de incentivos para a adoção de sistemas agroflorestais no Pleapo é necessária para garantir recursos do orçamento paulista para estimular esta prática, que conserva e amplia florestas ao mesmo tempo em que produz, conservando os solos e preservando as nascentes – garantindo a água que o campo e a cidade precisam, tema que está intimamente ligado às condições climáticas”.

Segundo Marchiori, a questão precisa deixar de ser apenas discurso porque as necessidades são urgentes, já que estudos recentes mostram que a escassez de recursos hídricos no Estado de São Paulo já ocorre em várias regiões de forma preocupante. “Por isso, precisamos de políticas públicas de extensão rural com um olhar mais sensível para este problema, que é real e vai provocar impacto na vida de todo mundo no curto, médio e longo prazo”, concluiu Marchiori.

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