Ministra Tereza Cristina pede que fertilizantes sejam excluídos de regime de sanções

Em reunião com representantes das Nações Unidas, da FAO, do IICA e ministros das Américas, a ministra apresentou ações para mitigar os impactos negativos da atual crise de preços dos insumos.

17/03/2022

Ministra Tereza Cristina pede que fertilizantes sejam excluídos de regime de sanções Foto: Divulgação

A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Tereza Cristina, defendeu em reunião realizada com representantes das Nações Unidas e dos governos americanos que os fertilizantes sejam excluídos do regime de sanções, assim como os alimentos. Alegou que reprimir o comércio desses insumos afeta a produtividade do campo, reduz a disponibilidade de alimentos, reforça a tendência inflacionária das principais commodities e, como consequência final, ameaça a segurança alimentar, especialmente dos países mais vulneráveis.

Como presidente da Junta Interamericana de Insumos (JIA) ela destacou que “temos que encontrar meios de evitar que medidas destinadas a punir comportamentos específicos, aplicadas por um grupo de países, acabem por afetar as cadeias alimentares mundiais. Não podemos, sob o pretexto de pressionar pela solução de um problema, criar um ainda maior, com o agravamento da situação da fome que, segundo estimativas da Organização das Nações Unidas Para Alimentação e Agricultura (FAO), afeta mais de 800 milhões de pessoas no mundo”.

O tema será encaminhado para a Organização das Nações Unidas (ONU).

Tereza Cristina apresentou opções para que, de forma coordenada, seja possível mitigar os impactos negativos da atual crise de preços dos insumos, em especial de fertilizantes, além de intensificar a pesquisa científica em busca de inovações tecnológicas que permitam fortalecer a eficiência e a sustentabilidade da agropecuária. A ministra sugeriu aumentar o intercâmbio de informações sobre os mercados agrícolas globais, ampliando, por exemplo, o escopo do Sistema de Informação de Mercados Agrícolas do G-20 (o AMIS) e incluir dados sobre fertilizantes, o que representaria importante contribuição para a transparência e estabilidade dos mercados.

O diretor-geral da FAO, Qu Dongyu, disse que a fome e a insegurança alimentar estão mais fortes do que nunca por causa da pandemia e que é preciso garantir a sustentabilidade dos sistemas alimentares, com o enfrentamento das restrições ao comércio por meio de um trabalho conjunto. “Estamos preocupados com a questão dos preços dos alimentos. Os desafios persistem e os sistemas agroalimentares devem garantir sua resiliência”, disse ele.

A enviada especial das Nações Unidas para a Cúpula dos Sistemas Alimentares, Agnes Kalibata, reforçou a necessidade de iniciativas conjuntas. “Com um momento muito complexo, a instabilidade dos preços dos fertilizantes vai afetar muitas pessoas, principalmente se a Ucrânia persistir nesta situação. Há muitas iniciativas boas, por isso estou aqui para estabelecermos alianças com o IICA e demais iniciativas para que possamos desenvolver soluções e compartilhar informações para resolvermos essa crise”, destacou.

Presente, o secretário de Agricultura dos Estados Unidos da América, Tom Vilsack, defendeu esforços para a inovação, tecnologia e sustentabilidade para uma maior produção desse insumo. “A invasão Russa está acelerando o aumento dos preços não só das commodities agrícolas como também de energia e metais, o que impacta a segurança alimentar de países menos desenvolvidos. Por isso, é importante fazermos o que pudermos para estimular planos maiores para as plantações nos próximos meses. Precisamos de mercados transparentes e compensação de preços para produzir. Isso é vital para reforçar os suprimentos, enviando uma mensagem para os produtores plantarem mais e mantendo o comércio global eficaz”, reforçou.

Segurança Alimentar

O encontro, realizado de forma virtual, também debateu as preocupações com a segurança alimentar diante do desafio de uma nova agenda global em agricultura. Tereza Cristina disse que, enquanto maior região exportadora líquida de alimentos, as Américas podem capitanear respostas coletivas e coordenadas a esses desafios.

“A presente alta dos preços dos alimentos e dos insumos, agravada pela recente instabilidade geopolítica na Europa, atinge uma população global já duramente afetada pela pandemia. Essa conjuntura impõe desafios adicionais para governos e sociedades, que vêm se sobrepor à urgência da ação climática e ao imperativo do desenvolvimento sustentável”.

O representante do Cone Sul, ministro de Agricultura do Paraguai, Santiago Bertoni, disse que é preciso fortalecer os sistemas agroalimentares. “Convergimos para a importância do comércio internacional como pilar essencial para construir sistemas alimentares sustentáveis, resilientes e inclusivos e para desenvolvimento de nossas comunidades. Assim importância de um comércio aberto, transparente, previsível e sem medidas arbitrárias que alterem o seu funcionamento adequado”, o ministro paraguaio.

Desde a pandemia de Covid-19 o setor tem demonstrado sua resiliência e caráter essencial. As Américas apresentam relevância estratégica mundial como a maior região exportadora de alimentos, sendo responsável por uma em cada quatro toneladas dos alimentos produzidos. 28% das importações de alimentos partem do continente americano.

Os dados foram citados pelo diretor-geral do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), Manuel Otero, que ainda demonstrou preocupação com o futuro dos mais de 60 milhões de pessoas que vivem nas zonas rurais, que representam 16,5 milhões de agricultores familiares.

“Por isso mesmo, a roda não pode parar. É a eles que se destinam muitos dos nossos esforços. Enfatizo que precisamos estar mais unidos do que nunca, promovendo a intercooperação junto a FAO, iniciativa privada, universidades, ONGs. A agricultura é um instrumento que visa não somente o desenvolvimento socioeconômico, mas também é uma ferramenta poderosa que visa fomentar a paz e a segurança alimentar”, frisou Otero.

Também participaram da reunião outros ministros da Agricultura das Américas, além dos integrantes do Conselho Agropecuário do Sul (CAS).

Da Redação, com Mapa

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