Juros futuros saltam após IPCA acima do esperado e dólar recua

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09/09/2021

As taxas de juro do mercado financeiro, especialmente as de curto prazo, disparavam nesta manhã de quinta-feira em movimentos que superam os 30 pontos-base (0,3 ponto percentual), após o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de agosto vir acima das expectativas e exibir uma dinâmica inflacionária preocupante nos preços mais inerciais, revelando uma inflação mais persistente para o ano de 2022. Ao mesmo tempo, o dólar comercial recuava, conforme o mercado equilibrava avaliações de que o Banco Central (BC) terá de elevar o tom no combate à inflação com o cenário de aumento do risco institucional e fiscal.

Por volta das 10 horas, o juro do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 escalava de 6,98% no ajuste anterior para 7,255%, após bater máxima a 7,25%; o do DI para janeiro de 2023 avançava de 8,79% para 9,13%, depois de máxima a 9,16%. Nos trechos de maior prazo, a taxa do contrato para janeiro de 2025 tinha alta de 10,07% para 10,31%, enquanto a do DI para janeiro de 2027 se elevava de 10,54% para 10,75%.

As taxas futuras de curto prazo registram o movimento de alta mais significativo no momento, depois que o IPCA de agosto superou as estimativas do mercado e reforçou a perspectiva de uma inflação persistente à frente. Na leitura de agosto, o indicador avançou 0,87% na comparação mensal, superando o teto das projeções captadas pelo Valor Data, de 0,85%. A mediana obtida pelas expectativas de 35 instituições financeiras e consultorias ouvidas era de 0,70%. A gasolina teve o maior impacto na alta dos preços, de 0,17 ponto percentual. Em 12 meses, a inflação saltou a 9,68%.

A dinâmica inflacionária negativa foi sublinhada também pela composição do indicador. A média de cinco núcleos (medida de inflação que desconsidera itens de preços mais voláteis, como alimentos e energia) monitorados pelo BC acelerou de 0,59% em julho para 0,67% em agosto, segundo cálculos da MCM Consultores. Em 12 meses, a média desses núcleos saltou de 5,48% para 6,09%. Um dos fatores apontados como possível desencadeador de altas mais agressivas da taxa Selic, o núcleo da inflação de serviços acelerou de 0,49% para 0,64% na margem, elevando a pressão sobre o BC.

“Com eventuais desdobramentos sobre as expectativas de 2022, a autoridade monetária deverá acelerar o passo [da alta] do juro, elevando a Selic em 1,25 ponto percentual já na próxima reunião”, diz Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, em relatório.

De acordo com um operador de renda fixa de um grande banco, o mercado de juros também apresenta o acionamento de ordens de “stop loss” (mecanismo que limita perdas acima de nível considerado aceitável). “O gatilho para esse movimento foi o IPCA, na minha visão”, afirma este profissional do mercado.

O dólar comercial, por sua vez, abriu o pregão em queda e chegou a devolver todas as perdas, mas, no horário acima, retomava a tendência de enfraquecimento. A moeda americana recuava 0,41%, para R$ 5,3056, embora já distante da mínima do dia, de R$ 5,2876, registrada no início dos negócios.

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