Investidor acompanha cena política e Ibovespa tem ajustes

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10/09/2021

O alívio da bolsa brasileira com a declaração à nação feita pelo presidente Jair Bolsonaro mostrou-se passageiro e abriu espaço para ajustes, fazendo o Ibovespa oscilar sem uma direção firme. O movimento mostra que houve exagero tanto na queda pós atos do 7 de Setembro quanto na melhora, com a renda variável oscilando ao sabor do cenário político local. Ainda assim, o sinal negativo das bolsas em Nova York também atrapalha.

Às 12h45, o Ibovespa subia 0,30%, aos 115.712 pontos, tendo oscilando entre os 116.896 pontos, na pontuação máxima do dia, e os 115.293, na mínima do dia até então. O volume financeiro somava R$ 10,375 bilhões, projetando um giro de R$ 26 bilhões até o fim do dia. Neste horário, em Wall Street, os índices Dow Jones e S&P 500 caíam 0,28% e 0,21%, nesta ordem.

Os ganhos das ações de maior peso no Ibovespa (“blue chips”) tentam sustentar a bolsa local no azul, apesar do ambiente externo no vermelho. Ainda no mesmo horário, Vale ON subia 0,63%; Petrobras tinha altas de 0,77% e 0,55% nas ON e PN, enquanto Bradesco PN ganhava 0,57%. A exceção ficava com Itaú Unibanco, que caía 0,48%. Nos destaques, Méliuz ON liderava as altas (+8,78%) e Localiza ON (-4,80%) liderava as quedas, ajustando-se aos movimentos bruscos desses papéis nas sessões anteriores.

De um modo geral, profissionais das mesas de operação comentavam desde o início do dia que havia limite no espaço para uma melhora do mercado local por causa da carta, com o foco se deslocando para quão duradoura deve ser a trégua. “O pedido de paz entre os Poderes [na carta do presidente] deixa dúvidas de quanto tempo deve durar”, observou o operador de derivativos da Renascença Corretora, Luís Felipe Laudísio, em comentário.

Além disso, operadores das mesas de renda variável chamavam a atenção para o comportamento dos investidores estrangeiros, que vêm atuando mais fortemente na ponta vendedora desde o pregão seguinte aos atos pró-governo, considerando-se o perfil de clientes das instituições que têm liderados as ordens de venda de ações. Conforme dados da B3, o fluxo de capital externo ficou negativo em R$ 1,055 bilhão na quarta-feira.

“Não dura muito essa premissa de comprar [bolsa] porque o [ex-presidente Michel] Temer fez uma carta”, comenta um operador sênior de uma corretora local, referindo-se ao recuo expresso por Bolsonaro em declaração à nação redigida pelo antecessor. “Ontem, eles venderam e hoje os ‘gringos’ seguem mais forte na venda”, emenda outro operador de renda variável, lembrando que é o fluxo externo que vem sustentando a bolsa, diantes das sucessivas saídas de recursos dos investidores locais.

Com isso, a especialista em ações da Clear Corretora, Pietra Guerra, avalia que o cenário ainda é de bastante volatilidade nos mercados domésticos e que a cautela deve permanecer nos negócios locais. “Por isso, é importante que o investidor esteja com carteira diversificada e parte dos investimentos devem estar protegidos nesse momento”, ressalta.

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