Ibovespa opera volátil em meio a tensão política e inflação alta

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09/09/2021

Mesmo após o Ibovespa ter anotado sua maior queda desde março, o que levou o índice a acumular perdas de quase 5% em 2021 ontem, os investidores ainda não demonstram apetite para retomar de maneira firme a demanda por ações locais. De acordo com participantes do mercado, o cenário macroeconômico desafiador, com uma inflação persistente e expectativas de taxas de juros maiores, além da crise institucional, impedem uma recuperação mais pronunciada do Ibovespa.

Há pouco, o Ibovespa caía 0,46%, aos 112.896 pontos. Nas mínimas do dia, chegou a tocar os 112.671 pontos. O volume financeiro agregado negociado na B3 hoje era de R$ 17,42 bilhões, perto das 13h45.

“O centro da discussão segue no aumento de tensão entre os poderes. Há também uma cautela maior por conta da greve dos caminhoneiros, desde o fim do dia de ontem. Hoje, ainda, tivemos o discurso do presidente do TSE, ministro Luis Roberto Barroso, um pouco mais duro no que diz respeito às manifestações do feriado”, afirmou Alexandre Almeida economista da CM Capital. Assim, segundo ele, “o vetor para o Ibovespa ainda é negativo”, conclui.

O cenário macroeconômico, de acordo com analistas, também segue desafiador. A inflação oficial brasileira, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), ficou em 0,87% em agosto, após alta de 0,96% em julho. A taxa de agosto de 2021 ficou acima da linha da mediana das projeções de 35 instituições financeiras e consultorias, ouvidas pelo Valor Data, de um avanço de 0,70%. Pelo indicador acumulado em 12 meses, o IPCA ficou em 9,68% em agosto, ante 8,99% acumulados até julho. É a maior taxa em 12 meses desde fevereiro de 2016 (10,36%).

“A inflação veio mais alta do que o esperado, a composição não é boa. O pico da inflação deve ser em setembro, com a inflação já na casa dos dois dígitos. Para o fim do ano, temos uma inflação de 8%, mas com claro viés de alta após os números de hoje”, afirmou o diretor de pesquisas para América Latina do BNP Paribas, Gustavo Arruda. “O Banco Central tem uma situação complicada pela frente”, resume.

No mercado de renda fixa, o DI para janeiro de 2025 subia a 10,30%, de 10,07% do ajuste ontem, com a curva a termo de juros futuros calibrando as apostas para um Banco Central mais agressivo no ritmo de aperto monetário.

A pressão da curva de juros tem reflexos em setores da bolsa sensíveis a alterações nas taxas. Há pouco, as construtoras recuavam em bloco, com a Eztec ON caindo 2,38% e os papéis das MRV ON recuando 1,39%.

O varejo eletrônico também exibia fragilidade. Via ON caía 1,11%, Magazine Luiza ON recuava 1,70% e Lojas Americanas PN recuavam 1,06%.

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