Dólar fecha próximo à estabilidade com fiscal nos EUA limitando tensão com energia

Testes, férias coletivas e outras medidas compõem o Plano de Contingência da empresa para prevenção, controle e redução de riscos de contágio

06/10/2021

O forte movimento de aversão ao risco dos mercados globais visto na primeira metade do pregão acabou refluindo nesta quarta-feira, ajudado pela decisão do Partido Republicano de oferecer uma solução temporária para o teto da dívida nos Estados Unidos. O menor receio sobre um default do governo americano tirou força do dólar contra as demais divisas, emergentes e desenvolvidas. No Brasil, o movimento ajudou a moeda americana a zerar ganhos e encerrar perto da estabilidade.

No fim da sessão, o dólar foi negociado a R$ 5,4875, alta de 0,06%. No momento mais tenso do dia, tocou R$ 5,5371, patamar intradiário não visto desde 23 de abril, quando chegou a R$ 5,5568.

Em comunicado compartilhado em seu perfil no Twitter, o líder da minoria no Senado, Mith McConnell, informou que seu partido permitirá uma extensão do limite da dívida dos EUA até dezembro, o que permite ao país evitar um default em suas contas e também dá mais espaço para negociação com o Partido Democrata.

Os demais pares emergentes também viram grande alívio após a notícia. No horário de fechamento no Brasil, dólar caía 0,09% contra o peso mexicano e 0,22% ante o rand sul-africano, mas ainda subia 0,15% frente ao rublo russo e 0,13% ante a lira turca. Já o índice DXY da ICE subia para 0,27%, aos 94,22 pontos, após tocar 94,34 pontos mais cedo.

O afastamento, ainda que temporário, da possibilidade de um ‘shutdown’ do governo americano acabou deixando em segundo plano as preocupações com o agravamento da alta dos preços de energia. O mau humor com esse quadro, que eleva preocupações sobre a dinâmica inflacionária no mundo, foi intensificado pela divulgação do relatório de vagas criadas no setor privado da ADP. Considerado uma prévia do payroll, que sai na sexta-feira, ele apontou geração de 568 mil postos em setembro, acima do consenso de 425 mil dos analistas consultados pelo “Wall Street Journal”.

No Brasil, também não ajudou o recuo de 3,1% das vendas no varejo restrito em agosto. Esta foi a queda mais forte para a série histórica no mês e também bem mais intensa que a mediana das projeções coletadas pelo Valor Data, de +0,6%, o que pode abrir espaço para revisões sobre o cenário de crescimento. “A leitura preliminar dos dados é muito ruim e devemos rever o PIB de 2021 e 2022 para baixo”, diz a Necton.

Apesar do fechamento na marca d’água de hoje, a sensação geral é que muita coisa ainda não foi resolvida no âmbito local e que alguns riscos, como o de energia e inflação, pendem para o lado negativo no exterior. De olho nesse quadro, a Pantheon Macro vê um cenário negativo para a moeda brasileira no curto prazo.

“A recuperação econômica tem cambaleado por causa de uma série de choques e da alta inflação. Além disso, com a eleição presidencial em 2022 se aproximando rapidamente, o risco político irá permanecer um dos maiores drivers”, dizem os economistas da consultoria. ”Fatores de suporte como o Copom mais duro, contas externas sólidas, gradual reabertura da economia e indicações de que a autoridade monetária irá dar suporte ao mercado no fim do ano fracassaram em impulsionar o real. A Pantheon projeta um dólar em R$ 5,65 em um espaço de três meses.

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