Após reunião com Bolsonaro, caminhoneiros mantêm bloqueios nas estradas contra o STF

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09/09/2021

Líderes caminhoneiros afirmaram nesta quinta-feira (9), após se reunirem com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que a “pauta de reivindicações” da categoria é contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e que os bloqueios nas estradas não cessarão até que sejam recebidos pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG). No Palácio do Planalto, os motoristas disseram à imprensa que Bolsonaro não lhes pediu para encerrar as ações em rodovias e na Esplanada dos Ministérios.

Caminhoneiros permanecem mobilizados nas rodovias federais em dez Estados, segundo o mais recente boletim do Ministério da Infraestrutura. Mais da metade das paralisações da categoria continua concentrada nos três Estados da região Sul. No boletim anterior, o ministério havia registrado que já não havia mais qualquer retenção nas rodovias, condição que foi mantida até as 17h.

Além dos Estados do Sul, há paralisações em Rondônia, Mato Grosso do Sul, Bahia, Pará, Mato Grosso, Goiás e Tocantins. O ministério não chegou a registrar os Estados do Maranhão, Minas Gerais, Roraima, Piauí e Rio de Janeiro, que contam com apenas um ponto mobilização à margem das rodovias.

Os caminhoneiros desceram ao andar térreo do Planalto após mais de três horas de reunião com o presidente. Também estiveram presentes no encontro o ministro Tarcísio Freitas, da Infraestrutura, e os deputados Carla Zambelli (PSL-SP) e Vitor Hugo (PSL-GO).

Francisco Dalmora Burgadt, que se identificou como “Chico Caminhoneiro” e foi candidato a vereador na cidade de Canoinhas (SC), em 2020, disse que a mobilização continua até que Pacheco os receba. O presidente do Senado recebeu pedidos de impeachment de ministros do STF, como o que Bolsonaro apresentou contra Alexandre de Moraes no último dia 20 – rejeitado pelo presidente da Casa.

“A gente está aqui representando um segmento da sociedade brasileira. A gente estabeleceu uma pauta de entrega de um documento ao senador Rodrigo Pacheco. E até o momento não obtivemos êxito nisso. Permanecemos no aguardo de ser recebido pelo mesmo”, disse Burgadt.

“Talvez existam algumas questões com relação a quanto tempo vai durar [a mobilização]. Nós estamos aguardando ser recebidos pelo senador Rodrigo Pacheco. Até que isso seja realizado, nós estamos mobilizados em todo o Brasil.”

Questionado sobre qual é a pauta do grupo, Burgadt disse que “isso aí é uma coisa que está sendo elaborada, destinada direto a ele [Pacheco]”. Mas assegurou que o preço dos combustíveis não está entre as reivindicações.

“Eu não posso adiantar aos senhores quais são as reivindicações”, afirmou. “Não temos nada com relação a preço do combustível neste momento. Nós estamos mobilizados pelos direitos de liberdade, direitos de expressão, direito de manifestação. O povo brasileiro infelizmente está sendo impedido de se posicionar em muitas questões e nós precisamos que isso mude, que a Constituição seja respeitada de forma integral.”

Nesta quarta-feira (8), Bolsonaro divulgou um áudio que circulou por grupos de WhatsApp pedindo aos caminhoneiros que desfizessem os bloqueios. De acordo Burgadt, no entanto, o presidente não repetiu o apelo no encontro desta quinta-feira.

“O presidente não nos pediu nada. Nós estamos aqui numa visita de cortesia, visto que viemos ao Senado e infelizmente não pudemos ser recebidos”, afirmou.

“E como nós estamos mobilizados aqui, aproveitamos a oportunidade para estar com o presidente, que diga-se de passagem foi muito cordial. E estamos avançando no sentido de construir uma agenda que seja positiva para todo o povo brasileiro.”

Outro caminhoneiro que falou com a imprensa foi Cleomar José Immich, de Sinop (MT). Ele reforçou que a pauta da categoria “é o STF” e insistiu em um encontro com Pacheco. “A nossa pauta nunca foi com o presidente. A nossa pauta sempre foi STF, via Senado. O Senado teria a obrigação de atender e tentar resolver a nossa questão. A insatisfação do povo brasileiro com o Judiciário, seria isso”, afirmou.

Immich queixou-se que o Executivo foi o único Poder que lhes “abriu as portas e recebeu para entender o que está acontecendo e o porquê disso”. Reclamou ainda que alguns setores da imprensa “estão dizendo que a nossa pauta é contra o presidente”.

“Nós somos brasileiros, patriotas, caminhoneiros na sequência. Mas a nossa pauta é contra o STF, não diria assim contra. Nós queremos que todas as forças, todos os poderes políticos trabalhem dentro da Constituição”, afirmou.

Na coletiva, Zambelli e Vitor Hugo afirmaram ter entrado com um pedido de habeas corpus para revogar a prisão do caminhoneiro Marcos Antonio Pereira Gomes. “Zé Trovão”, como é conhecido, teve a prisão decretada na semana passada pelo ministro Alexandre de Moraes por incitar a realização de ato antidemocrático no 7 de Setembro. Ele está foragido, mas já teria sido localizado pela Polícia Federal em um hotel na Cidade do México.

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