Dólar fecha em baixa com articulação por solução dos precatórios

Testes, férias coletivas e outras medidas compõem o Plano de Contingência da empresa para prevenção, controle e redução de riscos de contágio

21/09/2021

A recuperação parcial dos ativos de risco vista no exterior após o baque da véspera, foi intensificada no Brasil por sinais de avanço em relação à questão dos precatórios. De olho nas declarações após reunião conjunta entre os chefes da Câmara, Senado e Economia, o dólar acelerou queda no Brasil, efetivamente fazendo o real descolar do comportamento mais geral das moedas e fechar o pregão com a melhor performance do dia.

Após tocar R$ 5,2629 na mínima intradiária, o dólar comercial viu leve acomodação e encerrou em baixa de 0,90%, a R$ 5,2849.

A promessa dos participantes do encontro foi de que o tema voltará a ser apreciado pelo Congresso, não desrespeitará o teto de gastos e incorporará parte das sugestões articuladas por integrantes do Judiciário, como a de recalcular o teto para o pagamento com essa rubrica. Presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) recuperou a ideia discutida junto a integrantes do Judiciário, de limitar o pagamento de sentenças judiciais ao valor pago em 2016 (ano de criação do teto), o que daria perto de R$ 40 bilhões. Ao restante, algo na casa de dos R$ 50 bilhões, as soluções que estão na PEC seriam o encontro de contas, negociações com ativos e negociação entre as partes.

Em uma demonstração de que pretende dar celeridade ao tema, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) agendou para amanhã a instalação da comissão que avaliará a Proposta de Emenda Constitucional (PEC).

Embora a solução apresentada por Lira, Pacheco (DEM-MG) e pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, ainda levante questionamentos e careça de discussão, a recepção do mercado, a julgar pelo comportamento do real e também de outros ativos domésticos, foi positiva.

“Traz algum alívio por pelo menos voltar a encaminhar o tema”, nota a economista-chefe para a América Latina da Coface, Patrícia Krause. “O ideal é que não ocorresse nenhum tipo de parcelamento, mas este cenário já representa algum avanço em relação à proposta original.”

Em um dia em que o noticiário internacional foi ameno e não trouxe motivo para uma recuperação mais firme dos ativos de risco após o tombo causado pelas incertezas envolvendo a chinesa Evergrande, o real acabou no topo no topo da lista de melhores desempenhos do dia. No horário de fechamento, o dólar cedia 0,41% contra o rublo russo e 0,49% ante a lira turca, mas avançava 0,64% contra o rand sul-africano.

Lá fora, outro fator que contribui para a cautela é a decisão de juros do Federal Reserve, que sai amanhã. Em especial, investidores buscarão detalhes sobre o cenário para o início da redução do volume de compras de ativos e também para o momento onde dirigentes imaginam em que começará a alta de juros no país.

Para o Brown Brothers Harriman, os eventos relativos à Evergrande não devem alterar o rumo das discussões dos dirigentes do BC americano. “Nenhuma alteração significativa é esperada, mas o Fed pode adotar uma postura mais ‘hawk’ [inclinada à retirada de estímulos] que o ajude a abrir caminho para o anúncio da redução do volume de compras de ativos no fim do ano”, dizem os profissionais do banco americano. Eles avaliam que o anúncio formal ocorrerá na reunião de novembro do Fed e o início, em dezembro”.

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