A colheita da safra de soja 2024/25 no Brasil alcançou 77% da área cultivada até a última quinta-feira (20), segundo dados da AgRural. Esse avanço representa um crescimento significativo em comparação com os 70% registrados na semana anterior e os 69% do mesmo período da safra passada.
O índice atual é o mais alto para esta época do ano desde o início dos levantamentos semanais da AgRural, em 2010/11. O clima quente e seco nas regiões de calendário tardio tem sido o principal fator para o ritmo acelerado da colheita. No entanto, as condições climáticas adversas, que persistem desde meados de fevereiro, também resultaram em um novo corte na estimativa de produção de soja. A projeção passou de 168,2 milhões de toneladas para 165,9 milhões.
O Rio Grande do Sul é o estado mais impactado, com previsão de uma colheita menor que a da safra anterior. Pequenas reduções também foram registradas no Paraná, Mato Grosso do Sul, Bahia e Piauí, afetados pela falta de chuvas regulares. Apesar disso, a produtividade elevada em estados como Mato Grosso ajudou a mitigar as perdas.
O milho verão da safra 2024/25 no Centro-Sul do Brasil também avançou, atingindo 77% da área colhida, contra 72% na semana anterior e 75% no ano passado. Já o plantio da safrinha 2025 está concluído na região.
As lavouras de milho se desenvolvem bem em Mato Grosso, mas a irregularidade das chuvas preocupa estados como Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso do Sul. A produção total de milho para a safra 2024/25 é estimada em 121,8 milhões de toneladas, um leve aumento em relação ao mês anterior.
O mercado de soja no Brasil registrou uma semana de intensa volatilidade, afetada por condições climáticas adversas, variação cambial e incertezas nas exportações internacionais. A oscilação do dólar também desempenhou papel significativo, fechando a semana em R$ 5,72, uma leve queda de 0,35%.
O atual momento impactou os preços internos da soja, refletindo-se nos contratos futuros: o vencimento para maio de 2025 encerrou cotado a US$ 10,10 por bushel, com queda de 0,69%, enquanto o contrato para março de 2026 recuou 1,25%, valendo US$ 10,23 por bushel.
No cenário internacional, os Estados Unidos registraram uma queda de 53% nas exportações de soja, favorecendo a competitividade do grão brasileiro, especialmente junto ao mercado chinês, o maior importador global. Mesmo assim, as exportações brasileiras acumuladas até o momento ainda estão 26% abaixo do registrado no início de 2024.
A expectativa do mercado agora se volta para o relatório do USDA, que apresentará as projeções de plantio para 2025/26 nos Estados Unidos. O aumento da área destinada ao milho, em detrimento da soja, pode trazer novas oscilações ao mercado global, influenciando diretamente as cotações da commodity em Chicago.