Produção industrial cai 0,7% em agosto, mais do que o esperado

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05/10/2021

A produção da indústria brasileira recuou 0,7% em agosto, frente a julho, segundo a Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF), divulgada nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É a terceira queda mensal seguida na série com ajuste sazonal, período no qual acumula perda de 2,3%. Em julho, o indicador teve queda de 1,2% na série com ajuste sazonal, após dado revisado (era recuo de 1,3%).

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Com o resultado de agosto, a indústria fica 2,9% abaixo do patamar pré-pandemia, em fevereiro de 2020 e 19,1% abaixo do nível recorde, em maio de 2011. Também ficou 6% abaixo de dezembro de 2020.

O desempenho veio abaixo da mediana das estimativas de 28 instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Valor Data, de uma queda de 0,4% livre dos efeitos sazonais. As projeções iam de queda de 1,2% a alta de 1,0%.

Frente a agosto de 2020, a produção industrial também caiu 0,7%. Por esta base de comparação, a expectativa mediana do mercado era de que o indicador tivesse baixa de 0,1% conforme levantamento do Valor Data.

A produção industrial acumulada em 12 meses ficou em 7,2%. No resultado acumulado em 2021, até agosto, a indústria avança 9,2%.

Na avaliação do gerente da pesquisa, André Macedo, o resultado de agosto confirma o comportamento da indústria ao longo de 2021, com restrições de oferta e de demanda.

Dos oito meses ao longo de 2021, destaca ele, houve taxas negativas em seis deles, na série com ajuste sazonal, e predomínio de ramos em retração em sete meses.

“O resultado de agosto não difere muito do panorama de 2021. Fica bem evidente o desarranjo das cadeias produtivas, o desabastecimento de matérias-primas e insumos e o encarecimento do custo da produção”, explicou. Pelo lado da demanda doméstica, o especialista destaca o desemprego de mais de 14 milhões de pessoas e a renda em queda como fatores que também explicam o comportamento predominantemente negativo de 2021.

O resultado mostra, segundo Macedo, que o avanço da vacinação e a redução do isolamento social não têm sido suficientes para garantir um melhor desempenho da indústria brasileira. “Tem alguns gargalos que precisam ser resolvidos, não é só o avanço da vacinação que parece ser suficiente [para o avanço da indústria]”, afirmou.

Das quatro grandes categorias do setor industrial pesquisadas, três tiveram queda na atividade em agosto.

A produção de bens intermediários apresentou perda de 0,6% na passagem entre julho e agosto. Na comparação com agosto de 2020, a atividade de bens intermediários cai 2,1%. A categoria representa 55% da indústria.

Já os fabricantes de bens de capital registraram queda de 0,8% na passagem entre julho e agosto. Frente a agosto de 2020, a produção sobe 29,9%.

O resultado de bens semi e não duráveis foi de alta de 0,7% na produção em agosto, frente a julho, segundo os dados do IBGE. Na comparação com agosto de 2020, houve queda de 0,8%.

A produção de bens duráveis, por sua vez, caiu 3,4% em agosto, em relação ao mês anterior, e 17,3% na comparação com agosto de 2020.

Na passagem entre julho e agosto, houve perfil disseminado de taxas negativas, em 15 dos 26 ramos pesquisados. As maiores pressões negativas para a indústria vieram de outros produtos químicos (-6,4%), coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-2,6%), veículos automotores, reboques e carrocerias (-3,1%) e produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-9,3%).

No caso de outros produtos químicos, a perda intensificando os recuos de julho (-1,8%) e junho (-1,0%). Já a produção de veículos automotores, reboques e carrocerias teve o quarto mês seguido de queda na produção e acumulou nesse período perda de 9,5%. No caso de produtos farmoquímicos e farmacêuticos, foi eliminado parte do avanço de 12,4% verificado no período maio-julho de 2021.

Por outro lado, entre as 11 atividades em alta, produtos alimentícios (2,1%), bebidas (7,6%) e indústrias extrativas (1,3%) exerceram os principais impactos positivos em agosto de 2021. Vale destacar também os resultados positivos assinalados pelos ramos de metalurgia (1,1%), de produtos de madeira (3,0%) e de produtos têxteis (2,1%).

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