O debate sobre a alta dos preços dos alimentos ganhou novos desdobramentos com críticas do setor produtivo e declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Enquanto o governo anunciou medidas para conter a inflação dos alimentos, incluindo a redução de tarifas de importação sobre carnes e outros produtos, representantes do agronegócio consideram as ações ineficazes e defendem maior participação dos produtores nas discussões
O deputado federal Pedro Lupion (PP-PR), presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), criticou a ausência de produtores rurais na mesa de negociações do governo. Segundo ele, as medidas propostas não trazem impacto imediato e, em muitos casos, dependem da adesão dos governos estaduais, dificultando sua aplicação. "Fazer uma reunião sem a presença dos produtores rurais só agrava a situação. Precisamos de soluções estruturais, como a redução de impostos sobre insumos agrícolas e um Plano Safra mais robusto", afirmou Lupion.
Além disso, o parlamentar questionou a possibilidade de o Brasil voltar a depender de importações de alimentos, como ocorreu na tentativa frustrada de trazer arroz após as enchentes no Rio Grande do Sul. "A colheita da safra nacional vai equilibrar os preços nos próximos meses, antes mesmo de qualquer impacto das medidas do governo", disse.
A senadora Tereza Cristina (PP-MS) também se manifestou contrária às ações do governo, chamando-as de "cortina de fumaça" com motivações políticas. Segundo ela, o verdadeiro problema da inflação dos alimentos está no descontrole fiscal e na elevação dos custos de produção.
Lula ironiza preço dos ovos e promete medidas drásticas
Durante um evento em Campo do Meio (MG), Lula ironizou o aumento do preço dos ovos e afirmou que o governo está analisando as razões por trás da alta. "O ovo está saindo do controle. Alguns dizem que é o calor, outros dizem que é a exportação. Eu estou atrás", brincou o presidente. "Galinha não está comendo carne, não tem uma galinha pedindo aumento do ovo."
Apesar do tom descontraído, Lula reforçou que o governo busca uma solução negociada para reduzir os preços dos alimentos, mas que medidas mais rigorosas não estão descartadas. "Não queremos prejudicar os produtores, mas o que interessa é garantir comida acessível para a população", disse.