Projeto da Apta está avaliando o uso de aditivos na dieta de terminação de bovinos de corte

Apoiada pela Fundepag, iniciativa visa aumentar a eficiência bioeconômica na produção de gado de corte confinados, com a inclusão de novas tecnologias, como a substituição de antibióticos por óleos essenciais

André Luiz Casagrande
01/11/2024 10h06 - Atualizado em 01/11/2024 às 10h06
Projeto da Apta está avaliando o uso de aditivos na dieta de terminação de bovinos de corte
Foto: Breno Lobato / Embrapa
O objetivo principal do primeiro experimento é avaliar o uso de aditivos na dieta de terminação de bovinos de corte. Esses aditivos estão sendo estudados com o propósito de melhorar a eficiência da fermentação ruminal, o que promove maior desempenho nos animais e, ao mesmo tempo, reduz a emissão de gases de efeito estufa.

“Portanto, estamos focados em duas frentes, a melhoria da performance dos animais e, consequentemente, a redução do impacto ambiental nos sistemas de produção de bovinos confinados no Brasil”, afirma Flávio Dutra de Resende, coordenador do projeto, zootecnista e doutor em Produção de Ruminantes pela Universidade Federal de Viçosa.

Ele menciona que o projeto “Sustentabilidade Bioeconômica na Produção de Bovinos de Corte Confinados”, realizado pela Apta Regional de Colina, da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), conta com o apoio da Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa do Agronegócio (Fundepag). O foco, conforme explica, é a avaliação de alternativas ao uso de antibióticos, na introdução de alimentos alternativos que melhorem o desempenho e a qualidade da carne, com no impacto da recria na eficiência da terminação dos animais.

Repasse das informações ao produtor
De acordo com Resende, em relação ao repasse dessas informações para os produtores, a Apta Regional de Colina realiza muitas ações de divulgação, participando de diversos eventos de pecuária de corte pelo Brasil, onde frequentemente são apresentados os resultados em palestras técnicas.

“Em novembro, participarei da Feicorte, que ficou um tempo parada e agora retorna ao cenário nacional, em Presidente Prudente (SP). Neste evento, compartilhamos resultados não só deste experimento, mas também de outros trabalhos que realizamos aqui”, relata.

Resende afirma que os produtores também têm acesso a essas informações, além das palestras, por meio dos dias de campo da Apta. “Em agosto deste ano, por exemplo, realizamos um dia de campo na Fazenda, chamado Beef Day, que contou com a presença de mais de 2.500 pessoas. Esse é um dos formatos que utilizamos para divulgar as tecnologias, assim como as palestras técnicas voltadas aos produtores. Além disso, aqueles que buscam informações podem acessar nossos resultados em artigos científicos publicados em diferentes revistas da área”, diz o especialista. “Também há a possibilidade de os pecuaristas visitarem a Fazenda para ver de perto o trabalho que estamos realizando, o que é um ponto importante na divulgação dos resultados”, acrescenta.

O especialista menciona que faz parte de uma instituição de pesquisa, cujo foco é gerar e transferir tecnologia, o que ele considera  importante, pois o objetivo é fornecer conhecimento para aqueles produtores que identificarem a aplicabilidade dessas tecnologias em seus sistemas de produção. “Assim, eles podem adotar essas inovações conforme suas necessidades. É dessa forma que trabalhamos na geração e transferência de conhecimento aqui na Apta Regional de Colina”, comenta.

O projeto tem duração de cinco anos, e este é o primeiro experimento que o grupo está rodando. “Os animais foram abatidos na semana passada e ainda estamos processando os resultados, por isso, ainda não temos nenhum dado para divulgar”, justifica Resende.

Em relação às expectativas quanto ao prazo de término, o zootecnista afirma que está dependendo de uma série de análises laboratoriais. Porém, ele prevê encerrar essa primeira rodada de experimentos e obter os resultados até, no máximo, fevereiro de 2025. “Já temos alguns resultados preliminares que indicam uma melhora no desempenho dos animais, no entanto, precisamos aguardar para analisar esses dados e garantir consistência na divulgação”, conclui.

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