Juros futuros têm forte queda com tombo do varejo

Testes, férias coletivas e outras medidas compõem o Plano de Contingência da empresa para prevenção, controle e redução de riscos de contágio

06/10/2021

Com os temores sobre o crescimento da economia brasileira em foco, os juros futuros tiveram queda firme nesta quarta-feira (6). As taxas de curto e médio prazo tombaram até 20 pontos-base (0,2 ponto percentual), conforme agentes reagiam aos dados bem piores do que o esperado da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) de agosto, que indicou recuo de 3,1% das vendas do varejo na comparação mensal — reduzindo, assim, o prêmio da curva associado à inflação.

Na reta final do pregão, as taxas renovaram mínimas com a proposta dos republicanos de elevar o teto da dívida dos Estados Unidos.

No fim da sessão regular, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 passou de 7,26% no ajuste anterior para 7,22%, enquanto a do DI para janeiro de 2023 recuou de 9,26% para 9,055%. Em vencimentos mais longos, o juro do DI para janeiro de 2025 caiu de 10,275% para 10,07% e o do DI para janeiro de 2027 foi de 10,65% para 10,48%.

O desempenho das vendas no varejo restrito em agosto, segundo a PMC publicada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi bem pior do que a mediana apurada pelo Valor Data, que era de avanço de 0,6%. O dado efetivo furou o piso das estimativas, de queda de 1,4%. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, as vendas se retraíram em 4,1%.

Apesar do número fraco de atividade sugerir ao mercado um arrefecimento da inflação à frente, o economista-chefe da JGP, Fernando Rocha, avalia que se tratou de um movimento pontual de ajuste das taxas. “O mercado de juros olha à frente, tentando adivinhar o ritmo de expansão da economia. Um dado corrente ruim pode sugerir uma atividade mais fraca à frente e um arrefecimento da inflação. Mas não sinto confiança que essa queda dos juros seja uma tendência”, diz ele.

Após o número pior do que o esperado do varejo, a JGP diminuiu marginalmente a estimativa de alta do PIB neste ano, de 5,3% para 5,2%. Rocha enfatiza que, como a produção industrial, as vendas no varejo estão sendo contaminadas pela escassez de matérias-primas.

“Além de as vendas no varejo de agosto terem sido impactadas muito pelo grupo de outros artigos de uso pessoal, muito volátil, não haverá necessariamente um efeito desinflacionário estendido na atividade, porque estamos vendo um choque de oferta, que é recessivo, mas também inflacionário”, diz ele. “E também há uma Selic de mais de 10% precificada na curva para o fim de 2022, ou seja, tem muito prêmio para tirar da curva.”

A sócia e economista-chefe da Panamby Capital, Tatiana Pinheiro, aponta que, apenas no caso de o Banco Central mudar o diagnóstico sobre a atividade, hoje vista como robusta, para fraca, os juros de mercado teriam espaço para seguir em queda. “Isso significaria que o BC não precisaria apertar tanto a Selic”, pondera ela. “Mas seriam necessários mais dados mostrando um enfraquecimento para uma mudança de postura do BC.”

Tatiana também ressalta o papel que o mercado internacional teve no desempenho dos DIs, já que o ambiente externo, que iniciou se apresentando como francamente negativo à tomada de risco, encerrou o pregão se mostrando ligeiramente favorável. Na reta final do pregão, os juros futuros renovaram as mínimas intradiárias seguindo a melhora do humor internacional, depois que os republicanos anunciaram uma proposta de curto prazo para permitir que os democratas aprovem uma extensão do limite da dívida dos Estados Unidos até dezembro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *