A última década entrou para a história como a mais quente já registrada desde o início das medições climáticas, em 1850. O dado, divulgado pela Organização Meteorológica Mundial (WMO), não apenas confirma uma tendência preocupante, como também reforça a urgência de medidas concretas diante de um cenário que já não pode mais ser tratado como eventual, mas sim como estrutural.
Entre 2015 e 2025, a elevação das temperaturas globais atingiu níveis inéditos, com o ano de 2025 figurando entre os mais quentes já registrados, cerca de 1,43°C acima dos níveis pré-industriais. Trata-se de um patamar que aproxima o planeta de limites críticos estabelecidos por acordos internacionais, como o Acordo de Paris, e evidencia o avanço contínuo do aquecimento global.
O principal fator por trás desse fenômeno é o aumento das concentrações de gases de efeito estufa, como dióxido de carbono, metano e óxido nitroso. Esses gases retêm calor na atmosfera, intensificando o aquecimento dos oceanos e acelerando o derretimento de geleiras. O resultado é um desequilíbrio energético crescente, no qual a Terra passa a absorver mais energia do que consegue dissipar.
Esse excesso de energia tem como principal destino os oceanos, que armazenam cerca de 91% do calor adicional. Embora funcionem como um amortecedor térmico, os mares também sofrem as consequências, com aumento da temperatura das águas, alteração do pH e impactos diretos sobre os ecossistemas marinhos. A elevação do nível do mar, impulsionada pelo derretimento de gelo e pela expansão térmica da água, já é uma realidade em diversas regiões do mundo.
Os efeitos desse processo vão além do meio ambiente e atingem diretamente a vida das pessoas. Eventos extremos, como ondas de calor, chuvas intensas, secas e ciclones, têm se tornado mais frequentes e intensos, causando perdas econômicas, insegurança alimentar, deslocamento de populações e afetando a agricultura e a pecuária. A interconexão das economias globais amplia ainda mais o alcance desses impactos.
Na área da saúde, os riscos também são crescentes. O aumento das temperaturas favorece a propagação de doenças transmitidas por vetores e agrava problemas relacionados ao calor, especialmente entre populações mais vulneráveis. Estima-se que mais de 1,2 bilhão de trabalhadores no mundo estejam expostos a riscos relacionados ao calor, com reflexos diretos na produtividade e nas condições de vida.
Organismos internacionais reforçam a necessidade de ações urgentes e coordenadas.
A integração de dados climáticos aos sistemas de saúde e a adoção de políticas preventivas são apontadas como caminhos essenciais. Mais do que um alerta, os dados apresentados representam um chamado claro: enfrentar a crise climática deixou de ser uma escolha e passou a ser uma necessidade imediata para garantir o futuro do planeta.