Eu vejo que o Brasil está diante de uma oportunidade concreta de se tornar mais independente na produção de diesel. Hoje, o país ainda importa cerca de 30% do combustível que consome, o que nos deixa vulneráveis a crises internacionais, guerras e variações do dólar. Mas esse cenário começa a mudar, tanto no campo quanto na indústria.
No agronegócio, produtores já mostraram que é possível usar biodiesel 100% de soja, o B100. Em 2026, foi registrada uma safra colhida inteiramente com esse combustível em Mato Grosso. O produtor planta, extrai o óleo, transforma em biodiesel e abastece suas máquinas. É um modelo de autonomia que reduz custos e dependência.
O biodiesel brasileiro é feito principalmente de óleo de soja, mas também utiliza gordura animal e óleo de fritura reciclado. O país tem capacidade para produzir cerca de 14,3 bilhões de litros por ano, mas ainda opera abaixo disso. Ou seja, há espaço para crescer rapidamente.
Além disso, é um combustível mais limpo. O biodiesel pode reduzir em até 99% das emissões de gases poluentes em comparação ao diesel comum. Isso coloca o Brasil em posição estratégica no debate ambiental e na busca por energia mais sustentável.
Por outro lado, ainda existem limites. Não é possível substituir todo o diesel apenas com soja sem impactar o preço dos alimentos. Também há questões técnicas, como a formação de resíduos em motores e cuidados com armazenamento. Por isso, o avanço depende de novas tecnologias.
Nesse ponto, o diesel verde (HVO) surge como alternativa. Ele é semelhante ao diesel de petróleo, não prejudica motores e pode ser usado em 100% da frota. Já existem investimentos no Brasil para produção desse combustível, inclusive com uso de matérias-primas que não competem com alimentos.
Ao mesmo tempo, a Petrobras anunciou que estuda tornar o Brasil autossuficiente em diesel de petróleo em até cinco anos. A estratégia envolve ampliar a produção nas refinarias, como Abreu e Lima e Duque de Caxias, além de ajustes em unidades já existentes.
Esse movimento é importante porque o diesel é a base do transporte no país. Durante a recente guerra no Oriente Médio, o preço subiu cerca de 23%, mostrando nossa dependência externa.
Eu entendo que o caminho do Brasil não é escolher entre petróleo ou biodiesel, mas integrar os dois. A produção nacional de diesel garante segurança, enquanto os biocombustíveis reduzem a poluição e aumentam a autonomia.
O que está em jogo é mais do que energia. É independência. E o Brasil tem todas as condições para construir essa solução com base no que já produz.