A manutenção do conflito no Oriente Médio, especialmente envolvendo o bloqueio do Estreito de Ormuz, tem gerado efeitos diretos sobre o agronegócio global e, em particular, sobre o Brasil. Parte importante da ureia que o agronegócio brasileiro utiliza é importado do Irã, que sofre um bloqueio naval e está impedido de exportar.
Essa região é estratégica para o comércio internacional de energia e insumos agrícolas, sendo responsável por uma parcela significativa do fluxo mundial de petróleo, gás natural e fertilizantes. Com a interrupção parcial dessas rotas, o impacto se espalha rapidamente pelas cadeias produtivas, elevando custos e reduzindo a previsibilidade para produtores rurais.
Um dos principais efeitos da guerra é a restrição na oferta de fertilizantes, especialmente nitrogenados como a ureia, fundamentais para culturas como milho, trigo e arroz. Estima-se que uma parte relevante do comércio global desses insumos passe pelo Estreito de Ormuz, e o bloqueio já retirou centenas de milhares de toneladas do mercado mensalmente.
Além disso, países produtores enfrentam limitações para aumentar rapidamente a produção, o que agrava o cenário de escassez. Para o Brasil, altamente dependente de importações, isso representa aumento direto no custo de produção agrícola.
Paralelamente, o encarecimento da energia intensifica ainda mais a pressão sobre o setor. O estreito concentra cerca de 20% do fluxo global de petróleo, e qualquer interrupção eleva rapidamente os preços internacionais. Como o diesel é essencial para o transporte e a operação de máquinas agrícolas, seu aumento impacta toda a logística do agro, desde o preparo do solo até o escoamento da produção.
Esse efeito é amplificado por custos maiores de frete e seguros marítimos, decorrentes da instabilidade geopolítica.
Outro ponto crítico é a dependência estrutural entre energia e fertilizantes. A produção de insumos nitrogenados está diretamente ligada ao gás natural, e a interrupção no fornecimento global desse recurso compromete a fabricação de fertilizantes em diversos países.
Esse encadeamento cria um efeito dominó: energia mais cara encarece fertilizantes, que elevam o custo agrícola e, consequentemente, pressionam os preços dos alimentos. Trata-se de uma dinâmica sistêmica que recrudesce a vulnerabilidade das cadeias produtivas do agronegócio.
Com isso, o agronegócio brasileiro enfrenta um ambiente de maior incerteza e custos crescentes, o que pode levar produtores a reduzir o uso de insumos ou alterar o perfil de cultivo. No médio prazo, isso pode impactar a produtividade e a competitividade do país no mercado internacional.
A crise reforça a necessidade de diversificação de fornecedores, investimento em produção nacional de fertilizantes e adoção de práticas mais resilientes, capazes de mitigar os efeitos de choques externos sobre a segurança alimentar e a sustentabilidade do setor.