Estamos nos aproximando do fim de mais um ano. É nesse período que as empresas elaboram seus planejamentos e definem investimentos e metas para o próximo exercício. Para isso, utilizam o máximo de dados disponível, projetando de forma realista os esforços necessários para alcançar os objetivos. Trabalhar com um planejamento realista, acompanhado de cenários otimista e pessimista, faz diferença na passagem do plano para execução, e evita imprevistos.
Os dados são preciosos numa economia. Não à toa, a revolução digital produziu avanços impressionantes. Hoje é possível obter informações confiáveis a baixo custo e, muitas vezes, em tempo real, o que ajuda as empresas na difícil missão de antecipar movimentos e se preparar para diferentes possibilidades. Surgiu a Big Data, a mineração de dados, e o refinamento dessas informações.
Essa foi a base da revolução: aumento da produtividade, dinamização da gestão e mudança na lógica da economia. Apareceu o conceito de empresa de produto “custo zero” disruptivo, como Google, Waze, WhatsApp ou Instagram. Quanto se paga para usar os serviços dessas empresas? Zero. Esse modelo só é sustentável porque gera uma avalanche de dados dos quais as demais empresas têm interesse estratégico, e pagam por isso. Nunca se conheceu tão a fundo o comportamento humano, com segmentações das mais diversas. O marketing agradece.
A importância dos dados afeta toda a economia, do micro ao macro. Funciona como um os instrumentos na cabine de um avião, orientando o vôo. Para isso, é indispensável que as informações sejam confiáveis. Transparência, compliance, governança e accountability são conceitos que reforçam essa necessidade, tanto em pequenas empresas quanto nos governos. Uma omissão ou falha pode desencadear crises.
Daí a importância de instituições independentes, que produzam informações com clareza, sem interferência. Quando há suspeita sobre quem gerou os dados, todo o trabalho se descredibiliza. O cuidado com as informações é prioridade. Se tudo o que é feito digitalmente deixa rastro, as empresas devem ser responsabilizadas pelo tratamento e sigilo desses dados. Existem muitos cibercriminosos dispostos a conseguir informações sensíveis por meios ilícitos para revenda, tamanho o valor da informação na economia atual.
Estamos ainda nos desdobramentos da revolução e seus impactos finais são imprevisíveis. Drones, GPS, softwares integrados ao maquinário agrícola, facilidades de comunicação e transmissão de dados — tudo isso compõe um novo universo de possibilidades. O campo vive essa revolução com explosão da produtividade. Com o tempo, a captação de dados se refina: meses, safras e anos acumulados permitem melhor interpretação e correlação das informações. Mas o gap entre o grande produtor com tecnologia e o pequeno sem acesso, também aumenta. Quem tem dinheiro se garante, quem não tem capital, vê suas margens apertarem e a concorrência se tornar intransponível. Reinvestir em tecnologia se torna uma questão de sobrevivência, e muitos pequenos não estão resistindo.
Está claro a tendência de integrar informações em blocos cada vez maiores, consolidando a construção de uma macroeconomia cada vez mais precisa. O passo seguinte está no dinheiro digital e em sua capacidade de revelar cada transação econômica. Vale refletir até que ponto essa coleta massiva de informações serve à pessoa humana — e não apenas como ferramenta de controle econômico. Não estaria o Leviatã indo longe demais?
Por fim, o alerta: o Brasil, escolheu como parceiro e modelo institucional a China, país marcado pela opacidade de seus dados e denúncias recorrentes de espionagem digital. Essa escolha exige cautela, copiar um sistema que desinforma pode custar caro em termos de previsibilidade e confiança, não atoa o mundo livre olha com receio a atual postura do governo brasileiro.
Toda revolução carrega promessas e riscos. A digitalização oferece poder sem precedentes, mas cobra vigilância permanente. Também existe o problema da exclusão dos pequenos – tecnologia custa caro. Como possuir uma política eficiente para que os pequenos também tenham acesso à tecnologia, que é intensiva de capital, em um país onde o custo financeiro é altíssimo? Cabe ao Brasil decidir se fará desse novo universo de dados um instrumento de produtividade e desenvolvimento inclusivo — ou se permitirá que se torne apenas um mecanismo de dependência e controle.