A produção de carne bovina de alta qualidade é uma demanda crescente nos mercados atuais, tanto nacional quanto internacional. Embora o produtor trabalhe diretamente com a criação de bovinos, seu produto é, na verdade, a carne. A qualidade dessa carne é influenciada por diversos fatores ao longo da cadeia produtiva, mas a nutrição pré-abate desempenha um papel crucial. A dieta dos animais antes do abate impacta diretamente na qualidade da carne, afetando atributos como sabor, maciez e suculência.
A nutrição pré-abate é fundamental para garantir que os bovinos cheguem ao abate em condições ideais. Bovinos terminados com dietas ricas em grãos, como milho e sorgo, apresentam maiores reservas de glicogênio, o que garante uma queda de pH adequada após o abate. Isso melhora a cor e a maciez da carne, tornando-a mais atraente para o consumidor. Além disso, estudos mostram que dietas contendo milho e sorgo podem aumentar em até 20% a gordura intramuscular, favorecendo a suculência e o sabor da carne (Tabela 1).
Tabela 1 – Características de diferentes dietas pré-abate e influência na qualidade da carne (Immonen et al, 2000).
Para otimizar a nutrição pré-abate, é essencial utilizar tecnologias que garantam uma mistura homogênea dos ingredientes da ração. Misturadores de ração total são ferramentas valiosas nesse processo, promovendo uma ingestão uniforme de nutrientes pelos animais. Isso resulta em um crescimento mais equilibrado e na melhoria da qualidade da carcaça. Além disso, o manejo pré-abate envolve outras práticas críticas, como o transporte dos animais, que devem ser feitos de forma a minimizar o estresse. Estudos indicam que pausas regulares durante o transporte podem reduzir o estresse térmico e melhorar a qualidade da carne.
A importância da escolha da dieta pré-abate para melhorar a qualidade da carne. Além disso, o manejo pré-abate também envolve o jejum, embarque e descanso no frigorífico, etapas que podem impactar negativamente a qualidade da carne se não forem bem gerenciadas. Por exemplo, um pH elevado na carne pode resultar em uma textura mais dura e menos suculenta, além de afetar a cor e a vida útil do produto1.
Outro fator importante na qualidade da carne é o sabor, que pode variar significativamente dependendo do sistema de produção. A carne de gado criado a pasto tende a ter um sabor mais intenso e autêntico, com notas herbáceas e um toque terroso, devido à alimentação baseada em forrageiras ao longo da vida do animal. Esse sabor característico é apreciado por muitos consumidores, que valorizam a carne de origem mais natural e com menos interferência na dieta do animal. Em alguns mercados, essa carne é considerada premium e pode ser vendida por um preço mais alto, pois os consumidores estão dispostos a pagar mais por produtos que oferecem um perfil sensorial único e uma história de produção mais autêntica. Por exemplo, em mercados especializados ou em regiões onde a produção a pasto é mais comum, essa carne pode ser comercializada com um valor agregado devido à sua exclusividade e ao apelo ambiental associado à criação sustentável.
Além dos fatores nutricionais e de manejo, a raça e a classe sexual dos animais também influenciam a qualidade da carne. Raças zebuínas, por exemplo, tendem a produzir carne mais magra, enquanto raças taurinas podem resultar em carne mais suculenta. A classe sexual também desempenha um papel importante, com machos castrados geralmente produzindo carne mais macia do que machos inteiros. A idade ao abate também é crucial, pois animais mais jovens tendem a produzir carne mais macia devido à menor quantidade de colágeno insolúvel.
Por fim, a nutrição pré-abate é um fator determinante na produção de carne bovina de alta qualidade. A adoção de dietas adequadas e o uso de tecnologias avançadas na alimentação são essenciais para garantir que os bovinos cheguem ao abate em condições ideais. Isso não apenas melhora a qualidade da carne, mas também contribui para a eficiência econômica da produção, reduzindo perdas ao longo da cadeia produtiva. Portanto, investir em nutrição pré-abate é uma estratégia vital para os produtores que buscam atender às demandas crescentes por carne de alta qualidade nos mercados atuais. Além disso, a combinação de boas práticas de manejo com a valorização da carne produzida em pastagens pode oferecer oportunidades de diferenciação e aumento do valor agregado para os produtores que exploram essa vertente de produção sustentável e de nicho.