El Niño 2026 liga sinal de alerta para riscos na produção da pecuária leiteira
Projeções indicam aumento da probabilidade de formação do fenômeno que pode afetar pastagens e custos de produção
PorDa Redação, com Notícias Agrícolas•
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Foto: Reprodução
O aumento da probabilidade de formação do fenômeno El Niño em 2026 tem colocado o setor pecuário em estado de alerta, especialmente a cadeia leiteira, considerada uma das mais sensíveis às variações climáticas. As projeções meteorológicas apontam um cenário de maior instabilidade, com potenciais impactos sobre a disponibilidade de pastagens, a produção de alimentos para os rebanhos, os custos operacionais e a sanidade animal.
Os efeitos do El Niño tendem a ocorrer de forma distinta entre as regiões brasileiras. A intensidade dos impactos depende de fatores como distribuição das chuvas, características climáticas locais, sistemas de manejo adotados e estrutura das propriedades rurais.
Segundo a pesquisadora Natália Grigol, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o fenômeno não deve ser interpretado como um evento uniforme para todo o país. De acordo com a especialista, enquanto a região Sul costuma registrar maior volume de precipitações durante episódios de El Niño, outras áreas podem enfrentar irregularidade hídrica e oscilações nas condições de produção.
Além dos efeitos diretos sobre a atividade agropecuária, a pesquisadora destaca que as expectativas relacionadas ao clima também influenciam decisões de mercado, formação de preços e estratégias comerciais adotadas por produtores e agentes da cadeia produtiva.
Na pecuária leiteira, a dependência das pastagens e dos volumosos torna o setor particularmente vulnerável às alterações climáticas. Mudanças no regime de chuvas podem comprometer a produção de forragem, afetando a alimentação dos animais e, consequentemente, os índices de produtividade.
A médica veterinária e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Soraya Tanure, ressalta que o conforto térmico dos animais é um dos principais fatores de atenção nos sistemas de produção leiteira. Segundo ela, situações de estresse térmico podem resultar em redução do consumo alimentar, queda da produção de leite, pior desempenho reprodutivo e aumento da ocorrência de problemas sanitários.
O excesso de chuvas, cenário frequentemente associado ao El Niño na região Sul, também pode afetar diretamente as áreas de pastagem. Solos encharcados tendem a sofrer compactação devido ao trânsito dos animais, reduzindo a capacidade produtiva das áreas forrageiras.
As condições de elevada umidade ainda favorecem a ocorrência de enfermidades como mastite e doenças de casco, exigindo maior frequência de manejo sanitário e monitoramento dos rebanhos.
Outro aspecto apontado pelos especialistas é a necessidade de reforçar o planejamento forrageiro. Em cenários de maior instabilidade climática, a conservação de alimentos, como silagem, feno e concentrados, ganha importância estratégica para garantir o abastecimento dos rebanhos em períodos de menor disponibilidade de pastagens.
Nas regiões Sul, os principais desafios estão relacionados ao excesso de chuvas, que pode comprometer tanto o manejo das pastagens quanto a colheita e a conservação das forragens. Já no Sudeste e no Centro-Oeste, a alternância entre períodos de calor intenso e chuvas irregulares tende a afetar a estabilidade da produção de biomassa, aumentando a necessidade de suplementação alimentar.
No Nordeste, a principal preocupação está associada à disponibilidade hídrica, fator que influencia diretamente a produção de forragem e o abastecimento dos sistemas pecuários.
As condições climáticas também podem favorecer a proliferação de fungos, bactérias e parasitas. Carrapatos e mosca-do-chifre, por exemplo, tendem a encontrar ambiente favorável para reprodução em cenários de calor e umidade elevados, aumentando os desafios sanitários das propriedades.
Além dos reflexos produtivos, o fenômeno pode impactar os custos da atividade. Alterações na oferta de grãos, pastagens e insumos costumam influenciar a formação de preços e a dinâmica dos mercados agropecuários. Na pecuária leiteira, esse movimento pode pressionar as margens de rentabilidade, especialmente em sistemas mais dependentes de suplementação alimentar.
Especialistas avaliam que a combinação entre planejamento forrageiro, monitoramento climático, manejo sanitário e gestão de custos será determinante para reduzir riscos e ampliar a capacidade de adaptação das propriedades diante das possíveis condições climáticas associadas ao El Niño em 2026.