Ociosidade da indústria frigorífica pode manter pressão sobre a arroba do boi

Expectativa de esgotamento da cota chinesa leva frigoríficos a testar valores menores para a compra de animais

Por Da Redação, com Canal Rural
3 Min

Ociosidade da indústria frigorífica pode manter pressão sobre a arroba do boi
Foto: Divulgação/ABCZ

O mercado do boi gordo encerrou a semana sob influência de um cenário de pressão sobre os preços da arroba. Mesmo com dificuldades para completar as escalas de abate, frigoríficos seguem adotando uma postura cautelosa nas negociações e tentam adquirir animais por valores mais baixos.

De acordo com o analista da Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, a proximidade do preenchimento da cota de 1,106 milhão de toneladas de carne bovina destinada à China tem contribuído para esse movimento. O volume destinado ao país asiático pode ser atingido antes do previsto, entre os meses de junho e julho.

“Essa cota está para ser preenchida entre os meses de junho e julho, o que deve fazer com que o Brasil passe a contar com uma ausência parcial e temporária do principal mercado para a carne bovina brasileira”, avalia.

Segundo o especialista, diante desse cenário, a indústria frigorífica tende a reduzir o ritmo das operações, ajustando a quantidade de animais abatidos diariamente. Com isso, a capacidade ociosa das plantas pode aumentar, assim como a redução de turnos de trabalho, em uma tentativa de adequar a produção à nova demanda.

Cotações do boi gordo

No dia 18 de junho, os preços da arroba do boi gordo a prazo registraram queda em importantes praças pecuárias do país.

Em São Paulo, a arroba foi negociada a R$ 350, valor 1,41% inferior aos R$ 355 observados na semana anterior. Em Goiânia (GO), a cotação ficou em R$ 325, retração de 4,41% frente aos R$ 340 registrados anteriormente.

Em Uberaba (MG), a arroba encerrou o período em R$ 325, com baixa de 1,52%. Já em Dourados (MS), o indicador recuou para R$ 342, enquanto em Cuiabá (MT) o valor ficou em R$ 350, representando queda de 2,78%.

Em Rondônia, na praça de Vilhena, a arroba foi comercializada a R$ 335, com desvalorização de 2,90% em comparação à semana passada.

Mercado da carne

No atacado, os preços da carne bovina permaneceram estáveis ao longo da semana. Apesar disso, há expectativa de melhora nas cotações nos próximos dias, impulsionada pelo aumento do consumo durante o período de jogos da seleção brasileira na Copa do Mundo.

“O entrave para avanços mais expressivos nas cotações está na menor competitividade da carne bovina frente a proteínas concorrentes, em especial a carne de frango”, conta.

Atualmente, o quarto dianteiro segue cotado a R$ 21,70 por quilo, enquanto os cortes do traseiro bovino permanecem em R$ 27 por quilo.

Exportações seguem em alta

As exportações brasileiras de carne bovina in natura, refrigerada e congelada continuam apresentando bom desempenho em junho. Conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o faturamento acumulado nos nove primeiros dias úteis do mês alcançou US$ 850,786 milhões.

A média diária de receita foi de US$ 94,531 milhões. No mesmo período, o país embarcou 129,685 mil toneladas da proteína, com média diária de 14,409 mil toneladas.

O preço médio da tonelada exportada atingiu US$ 6.560,40. Na comparação com junho de 2025, houve crescimento de 44% na receita média diária, aumento de 19,6% no volume médio embarcado e valorização de 20,4% no preço médio da carne bovina exportada.


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