O mercado da carne bovina segue bastante agitado, principalmente com a confirmação da União Europeia em torno de deixar o Brasil fora da lista de países autorizados pela União Europeia a exportar determinados produtos de origem animal sob as novas regras relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção pecuária, algo que chamo de “barreira comercial” disfarçada de “barreira sanitária”, algo comum nos últimos 20 anos de alguns países europeus contra a carne bovina brasileira. Na soma do noticiário, posso destacar a cota chinesa e o problema sanitário real, no rebanho norte-americano.
O Ministério da Agricultura mostra através do Sistema Agrostat que em 2025 a União Europeia importou 368,1 mil toneladas, o que gerou receita de US$ 1,8 bilhão em carnes brasileiras. No caso da carne bovina, foram 128 mil toneladas enviadas ao bloco comum europeu, com faturamento de pouco mais de US$ 1 bilhão. Um fator relevante na indústria frigorífica habilitada a exportar a UE é que a maior parte das plantas estão localizadas em Mato Grosso do Sul.
De maneira superficial em minha explicação, os europeus têm uma legislação que proíbe importação de carne e produtos de origem animal que utilizem antibióticos para aumento de produtividade ou aceleração de crescimento. Ele sabem bem como a carne bovina é produzida no Brasil, sabem que o rebanho brasileiro, quase na totalidade, não usa, muito menos os que produzem com finalidade para este mercado. Contudo, querem uma comprovação em cima de todo o rebanho, Um rebanho do tamanho do nosso.
Basicamente, eles seriam atendidos com um sistema de rastreabilidade total no Brasil, o que garantiria todas as solicitações de suas exigências. Todavia, seria demasiadamente caro fazer tal coisa. Vale lembrar também que a história passa a ser contada no final de 2022 e em 2023 vieram os primeiros estabelecimentos de prazos pelos europeus.
Só para completar o cenário internacional, na esteira dos acontecimentos, nos Estados Unidos, no Texas, uma bezerra apresentou uma enfermidade grave.
Por fim, é inegável que o Ministério da Agricultura não tem tido muito vigor para lidar com a situação e é algo que se faz necessário frente a imposições que prejudicam o setor. Também, é extremamente possível que o volume de carne que chegaria na Europa ganhe outros destinos. Por isso mesmo, não acredito em pressão no mercado do boi com este argumento.