Projeções do USDA exercem influência discreta sobre as cotações da soja em Chicago

Milho e trigo registram desvalorização diante de perspectivas de oferta global robusta

Por Da Redação, com Globo Rural
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O mercado da soja operou com estabilidade na Bolsa de Chicago na quinta-feira (9), reagindo com cautela às novas atualizações sobre a produção mundial. Os contratos com vencimento em maio encerraram com leve alta de 0,28%, cotados a US$ 11,6525 por bushel.

O relatório mensal do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) trouxe poucas alterações significativas para os fundamentos de preços, incluindo os números sobre o armazenamento. A entidade revisou para baixo em 0,4% a previsão para as reservas globais de soja, agora calculadas em 124,79 milhões de toneladas.

De acordo com o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, a ligeira valorização também se justifica pela expectativa de aumento no consumo de farelo de soja em território americano. Contudo, esses elementos não possuem força para alterar a tendência do setor no curto prazo.

“Apesar da guerra e das oscilações do petróleo, os investidores vão esperar para ver como será o clima para o plantio da safra americana. Esse será o principal foco do mercado agora”, destaca.

Outro ponto do relatório que gerou pouco impacto entre os operadores foi a redução de 2,2% nas estimativas de exportação dos EUA, projetadas agora em 41,91 milhões de toneladas.

“Esse é um corte que já estava previsto, pois a China aumentou muito suas compras de soja no trimestre, dando preferência para o Brasil, e deixando de lado as importações dos EUA”, explica Brandalizze.

Para o cenário brasileiro, o USDA ajustou positivamente em 0,9% a previsão de embarques de soja ao exterior, totalizando 115 milhões de toneladas.
 

Milho

Pressionado por uma perspectiva de oferta abundante em escala global, o milho fechou com baixa moderada em Chicago. Os contratos para maio recuaram 0,73%, sendo negociados a US$ 4,44 por bushel.

O governo americano elevou sua estimativa para a colheita mundial de milho no ciclo 2025/26 para 1,3 bilhão de toneladas, um incremento de 0,3% sobre o relatório de março. Os estoques finais globais também foram revisados para cima, atingindo 294,8 milhões de toneladas, 0,7% a mais que a projeção anterior.

A percepção de um mercado bem suprido foi reforçada pela manutenção das safras nos principais players: EUA (432,3 milhões de toneladas), Brasil (132 milhões) e Argentina (52 milhões de toneladas).
 

Trigo

As cotações do trigo voltaram a cair em Chicago após o USDA atualizar o balanço entre oferta e demanda mundial. Os lotes para maio cederam 0,99%, encerrando a US$ 5,7450 por bushel.

A previsão para a safra global de trigo em 2025/26 foi elevada para 844,15 milhões de toneladas, refletindo ajustes positivos nas colheitas da Rússia, União Europeia e Argentina.

Enquanto a safra dos EUA foi mantida em 54 milhões de toneladas, a produção russa foi reestimada de 89,5 milhões para 90,3 milhões de toneladas. Com mais grão disponível, o USDA ampliou a previsão de exportações da Rússia em 1 milhão de toneladas, chegando a 44,5 milhões de toneladas, o que consolida o país na liderança do fornecimento global de trigo.