Os preços da soja registraram queda no Brasil na quinta-feira (3), refletindo a desvalorização na Bolsa de Chicago (CBOT) e a baixa do dólar, mesmo com a alta dos prêmios nos portos. Mato Grosso liderou a desvalorização, com o preço em Rondonópolis caindo de R$ 117 para R$ 112 por saca. No Paraná, a cotação no Porto de Paranaguá recuou de R$ 133 para R$ 131, enquanto no Rio Grande do Sul, os valores em Passo Fundo passaram de R$ 130 para R$ 128.
Mercado internacional e impacto nos preços
Os contratos futuros da soja na CBOT fecharam o dia em baixa para o grão e o farelo, enquanto o óleo de soja registrou alta significativa. O mercado foi influenciado pelas incertezas relacionadas às tarifas impostas pelos Estados Unidos, que podem gerar retaliações e afetar a demanda global por produtos agrícolas norte-americanos. Os contratos da soja em grão para maio de 2025 encerraram a sessão cotados a US$ 10,29 1/2 por bushel, uma queda de 4,75 centavos de dólar (0,45%). A posição para julho de 2025 recuou 4,25 centavos de dólar, fechando em US$ 10,45 por bushel.
Nos subprodutos, a posição maio de 2025 do farelo caiu 1,74%, cotada a US$ 287,20 por tonelada, enquanto o óleo de soja subiu 2,23%, encerrando o dia em 48,50 centavos de dólar por libra-peso. O dólar comercial encerrou a sessão em baixa de 1,17%, sendo negociado a R$ 5,6295 para venda e R$ 5,6275 para compra, oscilando entre a mínima de R$ 5,5925 e a máxima de R$ 5,6440.
Desafios na classificação da soja e entraves logísticos
Além da desvalorização, produtores de Mato Grosso enfrentam dificuldades na classificação da soja. Muitos relatam discrepâncias entre a avaliação feita na fazenda e no destino final, resultando em perdas financeiras. Estima-se que até 20% da produção sofra desvalorização devido a mudanças nos critérios de avaliação, especialmente relacionados à umidade e avarias dos grãos.
A falta de infraestrutura logística agrava o cenário. O atraso na colheita devido às chuvas e a escassez de caminhões para o escoamento da produção aumentam os custos e geram incerteza sobre a qualidade do grão no momento da entrega. Quando a soja chega ao armazém ou porto, as avaliações podem resultar em descontos elevados, impactando a rentabilidade dos agricultores.
O sistema de classificação deveria garantir transparência entre produtores e compradores, mas há falhas no processo. Em alguns casos, cargas são recusadas por apresentarem índices de avaria superiores ao permitido, resultando em penalizações financeiras. Há relatos de que algumas empresas utilizam equipamentos inadequados ou realizam amostragens manuais, comprometendo os resultados. Mesmo com tecnologia disponível, algumas tradings aplicam critérios próprios, muitas vezes em desacordo com as normas oficiais.
Para evitar prejuízos, a Aprosoja Mato Grosso criou o projeto Classificador Legal, que conta com profissionais credenciados pelo Ministério da Agricultura. O programa busca garantir que a classificação da soja seja realizada de forma justa e dentro das normas estabelecidas. Nos últimos quatro anos, o Classificador Legal ajudou a evitar perdas superiores a R$ 25 milhões para os produtores do estado, representando uma economia média de R$ 3.664,41 por carga, com base nos laudos e arbitragens realizadas para corrigir descontos indevidos.
Diante desses desafios, especialistas recomendam que os produtores acompanhem de perto o processo de classificação e, se necessário, acionem o Classificador Legal para evitar prejuízos. Em casos de divergências, a judicialização também pode ser uma alternativa para garantir o cumprimento dos contratos e minimizar as perdas no setor agrícola.