Segundo Fazenda, PIB deve apresentar um crescimento de 2,3%, impulsionado pelo agro

A expectativa de crescimento para este ano foi mantida apenas no agro. As projeções da indústria e dos serviços sofreram queda.

- Da Redação, com Canal Rural
14/02/2025 08h08 - Atualizado há 1 mês
Segundo Fazenda, PIB deve apresentar um crescimento de 2,3%, impulsionado pelo agro
Foto: reprodução

A Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda (SPE) divulgou nesta quinta-feira (13) uma atualização na previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil para 2025. A nova estimativa aponta uma alta de 2,3%, abaixo da projeção anterior de 2,5%, feita em novembro.

A revisão para baixo poderia ter sido ainda mais acentuada, não fosse a expectativa positiva para o setor agropecuário, que deve crescer 6% em 2025. Essa previsão otimista leva em conta os bons prognósticos para a safra, dados preliminares de abate de bovinos no quarto trimestre de 2024 e uma melhora nas condições climáticas.

Segundo o Ministério da Fazenda, a redução na estimativa do PIB está ligada principalmente à alta dos juros, à desaceleração da economia no último trimestre de 2024 e ao cenário econômico global.

“A gente reduziu essa projeção, em parte, pesando o que a gente está vendo na política monetária. E, em parte, porque estamos vendo uma desaceleração mais acentuada da atividade agora no quarto trimestre de 2024. Então, no cenário de 2,3% estão incorporados esses dois elementos”, explicou a subsecretária de Política Macroeconômica, Raquel Nadal.

Apesar da revisão, Raquel destacou que o setor agropecuário tem mostrado um desempenho promissor, graças às boas expectativas para a safra de 2025, o que ajudou a suavizar a queda na projeção do PIB.

Desaceleração na Indústria e Serviços

A análise da SPE por setores produtivos revela um cenário de desaceleração para a indústria e os serviços, parcialmente equilibrado pelo crescimento no setor agropecuário.

Para a indústria, a previsão de crescimento foi ajustada de 2,5% para 2,2%, devido à desaceleração esperada na indústria de transformação e na construção civil. Contudo, a recuperação da indústria extrativa, impulsionada pela operação de novas plataformas de petróleo, traz um alívio ao setor.

No setor de serviços, o crescimento projetado caiu de 2,1% para 1,9%. Esse recuo é atribuído à desaceleração na criação de empregos e à redução no ritmo de concessões de crédito, reflexos diretos das taxas de juros elevadas.

Incertezas no Cenário Internacional

O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, comentou sobre as incertezas do cenário externo. Segundo ele, ainda é cedo para medir os impactos da política comercial dos Estados Unidos no crescimento do Brasil em 2025.

“É muito cedo para incorporar esse tema em qualquer cenário. Claro que você pode construir cenários alternativos e possíveis, mas nós temos ainda que entender melhor como isso vai ocorrer, em que prazo, quem vai ser mais afetado, quem não vai ser, isso ainda leva tempo para ter mais clareza sobre esse cenário. Então, hoje é muito difícil apontar possíveis impactos”, afirmou.

Ele acrescentou que, por enquanto, os efeitos são percebidos apenas em setores específicos, sem grandes impactos macroeconômicos. “Caso necessário, caso a gente enxergue que existe a necessidade de incorporação de algo no cenário macro, nós vamos incorporar no momento que nós tivermos essa convicção”, concluiu Mello.

A SPE seguirá monitorando o cenário econômico interno e externo para ajustar suas projeções conforme as mudanças na economia global.

 

 


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