Apesar de um recorde histórico em 2024, com 46,4 milhões de sacas de café exportadas, o Brasil enfrenta desafios logísticos e de oferta em 2025. Dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) apontam que atrasos, alterações de escalas e falta de infraestrutura adequada nos portos impediram o embarque de 1,6 milhões de sacas no último ano. Esse volume não exportado representou uma perda de R$ 2,7 bilhões em receita cambial e gerou R$ 11,9 milhões em custos extras.
Marcos Matos, diretor-geral do Cecafé, destacou que os gargalos logísticos continuam críticos e podem dificultar novos recordes este ano, agravados por uma safra menor. “A perspectiva de baixa produtividade torna ainda mais desafiador atender a demanda de mais de 150 mercados internacionais,” disse Matos, reforçando a necessidade de investimentos em infraestrutura portuária.
Além da logística, a falta de estoques é outro entrave. Marcus Magalhães, diretor executivo da MM Cafés, apontou que a oferta reduzida será o maior obstáculo em 2025. “Com estoques quase zerados, o Brasil terá dificuldade em alcançar os números registrados em 2023 e 2024,” afirmou. Heberson Sastre, da Minasul, vê no período de menor volume exportado uma chance para mitigar atrasos e organizar demandas pendentes.
Apesar dos desafios, o setor segue conquistando novos mercados. Em 2024, um acordo da Cooabriel resultou no envio de 21 contêineres de café conilon para a Índia, país tradicionalmente consumidor de chá. Luiz Carlos Bastianello, presidente da cooperativa, destacou que o avanço na qualidade e nas práticas sustentáveis impulsiona a credibilidade do café brasileiro. "O feito inédito reforça o potencial do conilon em mercados emergentes," afirmou.