Mercado eleva projeção de inflação para 8,25% em 2021

Os números devem fazer o Copom elevar a taxa Selic para 8,25% ao ano

20/09/2021

Mercado eleva projeção de inflação para 8,25% em 2021 Mercado já vê inflação de 8,25% em 2021 (Foto: Agência Brasil)

Boletim Focus, do Banco Central, divulgado nesta segunda-feira (20) projeta inflação de 8,25% para 2021, ante aos 8% previstos na segunda-feira passada. Está é a 24ª previsão consecutiva de alta na inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que reúne todos os indicadores da economia.

Mesmo assim, a Agência Brasil informa que a estimativa de inflação para 2022 é de 4,10%, para 2023 e 2024, 3,25% e 3%, respectivamente. As projeções para 2021 estão bem acima da meta da inflação determinada pela Comitê de Política Econômica (Copom) do Banco Central, de 3,75%, com intervalo de tolerância de 1,5% pata mais ou para menos. Limite mínimo de 2,25% e máximo de 5,25%.

A inflação de agosto, de 0,87%, é a maior desde 2020 segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. No ano, em 8 meses, o acumulado é de 5,67% e nos últimos 12 meses, 9,68%, o maior para um período de um ano desde fevereiro de 2016, quando bateu em 10,36%.

Taxa de juros

Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, estabelecida atualmente em 5,25% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Amanhã (21) e quarta-feira (22), o Copom realiza a sexta reunião do ano para definir a Selic.

Na ata da última reunião, em agosto, os membros do comitê já indicaram que deve haver nova elevação, de 1 ponto percentual. Essa também é a expectativa do mercado financeiro, de que a taxa suba para 6,25% no encontro do Copom desta semana.

Para o mercado financeiro, a expectativa é de que a Selic encerre 2021 em 8,25% ao ano. Na semana passada a projeção era 8%. Para o fim de 2022, a estimativa é de que a taxa básica suba para 8,50%. E para 2023 e 2024, a previsão é 6,75% e 6,5% ao ano, respectivamente.

Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, a finalidade é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Desse modo, taxas mais altas podem dificultar a recuperação da economia. Além disso, os bancos consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.

Quando o Copom reduz a Selic, a tendência é de que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle da inflação e estimulando a atividade econômica.

PIB e câmbio

As instituições financeiras consultadas pelo BC mantiveram a projeção para o crescimento da economia brasileira este em 5,04%. Para 2022, a expectativa para Produto Interno Bruto (PIB) – a soma de todos os bens e serviços produzidos no país – é de crescimento de 1,63%. Em 2023 e 2024, o mercado financeiro projeta expansão do PIB em 2,30% e 2,50%, respectivamente.

A expectativa para a cotação do dólar também se manteve em R$ 5,20 para o final deste ano. Para o fim de 2022, a previsão é que a moeda americana fique em R$ 5,23.

 

Da Redação.

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