El Niño deve tornar inverno menos rigoroso no Brasil, aponta estudo

Fenômeno climático reduz intensidade do frio e pode favorecer ondas de calor, além de alterar o regime de chuvas em diferentes regiões do país

Por Da Redação, com Agência Brasil
2 Min

Foto: Reprodução

O inverno no Hemisfério Sul começa oficialmente às 5h25 do próximo domingo (21), mas a estação de 2026 deverá apresentar características diferentes das normalmente esperadas. Segundo estudo divulgado pela consultoria meteorológica Nottus, a atuação do fenômeno El Niño tende a reduzir a intensidade das ondas de frio no Brasil ao longo dos próximos meses, tornando o inverno mais ameno em boa parte do território nacional. O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas da região equatorial do Oceano Pacífico e teve seu início confirmado recentemente pela Agência dos Estados Unidos para Oceanos e Atmosfera (Noaa). De acordo com a análise da Nottus, apesar da ocorrência de episódios de frio, eles deverão ser mais curtos e menos persistentes, especialmente a partir de agosto, quando períodos secos e ventos vindos do Norte favorecerão a elevação gradual das temperaturas. O estudo também aponta mudanças importantes no comportamento das chuvas. A tendência é de volumes acima da média na Região Sul, enquanto Norte e Nordeste poderão registrar precipitações mais escassas, aumentando o risco de estiagens. Em julho, as chuvas devem beneficiar áreas do Sudeste e do Centro-Oeste. Já em agosto e setembro, o Sul deve continuar recebendo acumulados superiores à média histórica, enquanto o interior do país poderá enfrentar períodos secos e até ondas de calor. Segundo os meteorologistas, não há indicação, neste momento, de eventos extremos semelhantes às enchentes registradas no Rio Grande do Sul em 2024. No entanto, existe a possibilidade de fortalecimento do El Niño entre setembro deste ano e fevereiro de 2027, cenário que poderá configurar um chamado “Super El Niño”, com impactos climáticos mais intensos. Os reflexos também podem alcançar o setor elétrico brasileiro. Como grande parte da geração nacional depende das hidrelétricas, o aumento das chuvas no Sul pode favorecer os reservatórios durante este ano. Para 2027, entretanto, a combinação entre calor intenso e redução das precipitações no Norte e Nordeste poderá elevar o consumo de energia e pressionar o sistema de abastecimento.