Exportações e demanda da indústria sustentam mercado da soja no Brasil em junho
Liquidez segue elevada com embarques em ritmo recorde e forte procura do setor de processamento
PorDa Redação, com Cepea•
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Foto: R.R.Rufino / Embrapa
O mercado brasileiro de soja iniciou junho com elevado nível de liquidez, impulsionado pelo forte desempenho das exportações e pela demanda aquecida da indústria nacional de processamento. De acordo com pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), esses fatores têm contribuído para limitar quedas mais acentuadas nos preços da oleaginosa.
Segundo o centro de pesquisas, o suporte à comercialização ocorre mesmo em um cenário de ampla oferta. O Brasil colheu uma safra recorde de soja, enquanto os principais concorrentes globais também avançam em suas produções. Na Argentina, a colheita já alcançou 91,7% da área cultivada, com a estimativa de produção mantida em 50,1 milhões de toneladas. Nos Estados Unidos, a semeadura da safra 2026/27 atingiu 87% da área prevista até o final de maio, acima da média de 80% observada nos últimos cinco anos.
Os dados da Secretaria de Comércio Exterior reforçam a força da demanda pela soja brasileira. Em maio, o país exportou 14,82 milhões de toneladas do grão. Embora o volume tenha ficado 11,5% abaixo do registrado em abril, representou crescimento de 5,1% em comparação com maio de 2025. No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, os embarques atingiram nível recorde para o período.
No campo, os produtores se preparam para o início do vazio sanitário da soja, medida fitossanitária adotada para reduzir a incidência da ferrugem asiática nas lavouras. O período determina a ausência de plantas vivas de soja por um intervalo específico, conforme as regras estabelecidas em cada estado produtor.
A combinação entre exportações em ritmo elevado, demanda doméstica consistente e oferta global abundante segue no radar dos agentes do mercado, que acompanham os desdobramentos da nova safra nos principais países produtores.