Setor pecuário avalia potencial corte de tarifas dos EUA sobre a carne bovina; Brasil pode ser beneficiado
Especialistas acreditam que o incremento na demanda norte-americana pode reorganizar as exportações globais em um período de incertezas na China e baixa oferta mundial.
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A pecuária brasileira monitora de perto as negociações sobre uma possível redução temporária nas taxas alfandegárias extras aplicadas pelos Estados Unidos sobre produtos importados, incluindo a proteína bovina. A movimentação ocorre em um contexto de pressão inflacionária nos alimentos para o consumidor americano e uma queda histórica no inventário bovino daquele país.
Analistas do setor indicam que a decisão pode moldar o ritmo das exportações do Brasil nos próximos meses, embora o impacto real dependa de oficializações governamentais e do equilíbrio do comércio global. De acordo com dados do analista de Inteligência de Mercado Rodrigo de Assis Dutra Costa, os EUA elevaram suas importações em 5,82% em abril de 2026 frente ao mês anterior. Esse aumento se justifica pela escassez de animais prontos para o abate e pelos preços elevados da carne no varejo local.
Apesar do otimismo com os EUA, analistas pregam cautela sobre reflexos imediatos no preço do boi gordo no Brasil. As cotações seguem atreladas ao contexto global, especialmente às decisões de Pequim e à oferta de outros grandes exportadores. Para Rodrigo de Assis Dutra Costa, o avanço nas vendas para os americanos pode mitigar o excesso de oferta interna: “A redução das tarifas americanas impulsionará nossas exportações trazendo certo alívio ao nosso mercado”. Entretanto, Iglesias faz uma ressalva importante: “Os Estados Unidos ainda não têm condições de substituir plenamente a China”. Além do fator exportação, o preço da arroba no Brasil continua sendo influenciado pela oferta de gado terminado, pela prospecção de novos mercados e pelo apetite do consumo global ao longo de 2026. Perspectivas para a Indústria e o Produtor
Empresas com forte capilaridade global, como a Minerva Foods e a JBS, são citadas por Rodrigo de Assis Dutra Costa como as principais beneficiadas, visto que já possuem plantas autorizadas a exportar para o mercado norte-americano. A orientação para o pecuarista é manter a gestão de risco atualizada em meio à volatilidade: “O produtor deve aproveitar a circunstância para usar os instrumentos financeiros a seu favor, seja para proteção do rebanho, seja para garantir a sua reposição”, sugeriu o analista. Apesar da expectativa positiva, o setor aguarda definições concretas. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) declarou que só emitirá um parecer oficial após o anúncio formal das medidas tarifárias por parte do governo dos Estados Unidos.
Analistas do setor indicam que a decisão pode moldar o ritmo das exportações do Brasil nos próximos meses, embora o impacto real dependa de oficializações governamentais e do equilíbrio do comércio global. De acordo com dados do analista de Inteligência de Mercado Rodrigo de Assis Dutra Costa, os EUA elevaram suas importações em 5,82% em abril de 2026 frente ao mês anterior. Esse aumento se justifica pela escassez de animais prontos para o abate e pelos preços elevados da carne no varejo local.
“O rebanho americano atingiu o seu menor patamar em décadas, fazendo com que o preço da carne vermelha aumentasse consideravelmente impactando a inflação”, explicou Rodrigo de Assis Dutra Costa. Ele acrescentou que as taxas vigentes anteriormente elevaram os custos domésticos: “As tarifas impostas por ele também pressionaram o mercado doméstico para produtos como café e carne bovina”.Fernando Iglesias, coordenador de Mercados da Safras & Mercado, ressalta que os EUA dependem de fornecedores externos para suprir sua lacuna de consumo. A retração do rebanho americano nos últimos anos intensificou essa necessidade.
“Os Estados Unidos têm uma necessidade de compra muito ampla. Eles precisam muito da carne brasileira e de outros países para preencher lacunas formadas pela redução do rebanho norte-americano”, avaliou Iglesias.O consultor destaca a prontidão do parque produtivo nacional: “O Brasil tem capacidade de fornecer muita carne para os Estados Unidos”. Contudo, ele pondera que a China permanece como o pilar central para o balanço das vendas externas brasileiras. Outro foco de interesse é a demanda por carne magra, essencial para a indústria de hambúrgueres. Segundo Rodrigo de Assis Dutra Costa, se a queda das tarifas se confirmar, os cortes de dianteiro devem liderar os embarques. Ele aponta que “O preço da carne moída 100% bovina nos EUA está cotado a US$ 14,77/kg, valor recorde”. Impacto nos preços e cenário internacional
Apesar do otimismo com os EUA, analistas pregam cautela sobre reflexos imediatos no preço do boi gordo no Brasil. As cotações seguem atreladas ao contexto global, especialmente às decisões de Pequim e à oferta de outros grandes exportadores. Para Rodrigo de Assis Dutra Costa, o avanço nas vendas para os americanos pode mitigar o excesso de oferta interna: “A redução das tarifas americanas impulsionará nossas exportações trazendo certo alívio ao nosso mercado”. Entretanto, Iglesias faz uma ressalva importante: “Os Estados Unidos ainda não têm condições de substituir plenamente a China”. Além do fator exportação, o preço da arroba no Brasil continua sendo influenciado pela oferta de gado terminado, pela prospecção de novos mercados e pelo apetite do consumo global ao longo de 2026. Perspectivas para a Indústria e o Produtor
Empresas com forte capilaridade global, como a Minerva Foods e a JBS, são citadas por Rodrigo de Assis Dutra Costa como as principais beneficiadas, visto que já possuem plantas autorizadas a exportar para o mercado norte-americano. A orientação para o pecuarista é manter a gestão de risco atualizada em meio à volatilidade: “O produtor deve aproveitar a circunstância para usar os instrumentos financeiros a seu favor, seja para proteção do rebanho, seja para garantir a sua reposição”, sugeriu o analista. Apesar da expectativa positiva, o setor aguarda definições concretas. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) declarou que só emitirá um parecer oficial após o anúncio formal das medidas tarifárias por parte do governo dos Estados Unidos.