Safra global de café deve ter superávit de 10 milhões de sacas

Mercado ainda não estará totalmente abastecido, avalia StoneX

Por Da Redação, com Globo Rural
5 Min

Safra global de café deve ter superávit de 10 milhões de sacas
Foto: reprodução

A produção mundial de café deverá ultrapassar o consumo em 2026, gerando um superávit estimado em 10 milhões de sacas, de acordo com projeção divulgada nesta segunda-feira (6) pela StoneX. A previsão aponta para uma produção de 182,5 milhões de sacas, frente a um consumo de 172,5 milhões.

Conforme a empresa, esse cenário deve favorecer a recomposição dos estoques globais, que podem voltar a superar 48 milhões de sacas, após quatro anos seguidos de retração até 2024 e uma leve recuperação observada em 2025.

A consultoria destaca que a retomada prevista para este ano parte de uma base historicamente apertada e ainda apresenta desequilíbrios regionais, além de incertezas envolvendo fatores como clima, tensões geopolíticas, políticas comerciais e o avanço de regulamentações como o EUDR (Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento), que exige rastreabilidade e comprovação de que os produtos importados não estejam ligados ao desmatamento.

“O mercado entra em 2026 com uma perspectiva mais confortável do ponto de vista de oferta, mas ainda longe de um cenário de estabilidade. A recomposição dos estoques acontece de forma desigual porque o aumento de produção está concentrado em algumas origens, como o Brasil, enquanto regiões consumidoras relevantes ainda operam com níveis historicamente baixos”, disse, em nota, Leonardo Rossetti, especialista de Inteligência de Mercado da StoneX.

A expansão da produção global, estimada em 9,6% na comparação anual — ante 166,5 milhões de sacas em 2025, considerando dados revisados —, será impulsionada principalmente pelo Brasil. O país deve alcançar uma safra recorde de 75,3 milhões de sacas em 2026/27, crescimento de 20,8% na comparação anual, favorecido pela recuperação após adversidades climáticas na safra anterior e pelo avanço estrutural da produção, sobretudo do café robusta.

Outras regiões também devem contribuir para o aumento da oferta, ainda que de maneira desigual. Na Ásia, a produção do Vietnã tende a crescer quase 10%, após a melhora das condições climáticas. Já na África, países como Uganda e Costa do Marfim devem elevar a produção do continente em 3,6% na comparação anual.

Por outro lado, nem todas as regiões acompanham esse ritmo. Na América Central, a produção deve apresentar leve retração, inferior a 1% no total. A Colômbia, por sua vez, deve produzir cerca de 12,6 milhões de sacas, abaixo das 13,5 milhões registradas no ciclo anterior, evidenciando a heterogeneidade da oferta global.

Em relação aos estoques, a expectativa é de recuperação consistente. O volume global deve avançar de aproximadamente 38 milhões para mais de 48 milhões de sacas em 2026. No Brasil, principal responsável por esse movimento, os estoques podem crescer cerca de 5 milhões de sacas na comparação anual.

Apesar disso, a recomposição não ocorre de forma uniforme. Na Europa, tradicional reguladora do mercado, os estoques voltaram a se aproximar do limite inferior da faixa histórica em 2025, após queda superior a 2 milhões de sacas entre 2024 e 2025, com recuperação gradual prevista para 2026. Nos Estados Unidos, os estoques de café verde recuaram de mais de 6 milhões de sacas em 2022 para menos de 1 milhão em 2025, com expectativa de leve recuperação neste ano. Já o Japão apresenta uma redução mais moderada, porém contínua ao longo dos últimos anos.

“A recomposição dos estoques é um movimento relevante, mas acontece após uma sequência prolongada de quedas e com distribuição irregular entre regiões produtoras e consumidoras. Isso mantém o mercado sensível, já que nem todas as regiões conseguem recompor estoques no mesmo ritmo”, destacou Rossetti.

Pelo lado da demanda, o consumo global de café, que caiu cerca de 2,5% em 2025, deve se recuperar em 2026 no mesmo ritmo, com alta também estimada em 2,5%. Esse avanço é sustentado pela desaceleração da inflação e pela melhora gradual das condições econômicas, especialmente em mercados como Estados Unidos, Brasil e Japão.

Ainda assim, os preços permanecem elevados e seguem pressionando o consumo. No Brasil, a inflação do café superou 80% em meados de 2025 e encerrou o ano ainda cerca de 35% acima do período anterior. Nos Estados Unidos, a inflação ficou acima de 30% ao longo de 2025, com sinais mais claros de alívio apenas no início de 2026. Já na zona do euro, os preços terminaram 2025 com alta próxima de 18%, mantendo trajetória de desaceleração.

Diante desse cenário, 2026 tende a se consolidar como um período de transição para o mercado global de café, com fundamentos mais favoráveis, mas ainda sujeito a volatilidade.

“Embora o superávit reduza o risco de eventos extremos, o mercado segue vulnerável. Pequenos choques de oferta ou demanda ainda podem gerar impactos relevantes nos preços, o que exige acompanhamento constante dos fundamentos”, concluiu Rossetti.

 
 


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