Indústria cafeeira vê margens sacrificadas nos últimos anos
Mesmo com alta da matéria-prima, repasse ao varejo ficou abaixo do crescimento de custo
Foto: reprodução
Nos últimos cinco anos, a matéria-prima do café registrou aumentos expressivos, com o conilon subindo 201% e o arábica 212%. Apesar disso, o repasse ao varejo foi de apenas 116%, segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), Pavel Cardoso.
Em coletiva nesta quinta-feira, Cardoso explicou que as margens da indústria cafeeira foram pressionadas pela combinação de safras reduzidas e estoques apertados. Mesmo com o aumento do custo da matéria-prima, o repasse ao consumidor final não acompanhou a mesma intensidade.
Em 2024, o preço do café ao consumidor subiu 37,4%. Já em 2025, com uma queda significativa nos preços da matéria-prima — 40,2% para conilon e 11,8% para arábica — o aumento nas prateleiras ficou em apenas 5,8%.
Para 2026, a previsão é de uma boa safra, mas os estoques ainda estão reduzidos, o que limita a possibilidade de uma queda relevante no preço ao consumidor. A ABIC também destacou uma leve redução no consumo de café no país entre novembro de 2024 e outubro de 2025.
Apesar disso, a entidade destacou que o café continua presente em 98% dos lares brasileiros, e há expectativa de recuperação do consumo em 2026.