Mais Arrobas na recria de fêmeas

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Mais Arrobas na recria de fêmeas
Foto: Divulgação

A recria de novilhas é uma das fases mais estratégicas da pecuária de corte, mas também uma das mais negligenciadas. É nesse período que se define o futuro produtivo das fêmeas e cada decisão impacta diretamente na idade ao primeiro parto, na taxa de prenhez e, consequentemente, na rentabilidade da fazenda. A lógica é simples: a vaca só começa a gerar receita após a parição, e quanto mais cedo isso ocorrer, melhor será o retorno sobre o investimento. Por isso, explorar a precocidade das novilhas é fundamental para reduzir o número de animais improdutivos no rebanho.

A precocidade sexual está intimamente ligada ao crescimento corporal. Novilhas que atingem peso adequado antes da estação de monta têm maior chance de emprenhar cedo, sem comprometer seu desenvolvimento futuro. O desafio é equilibrar ganho de peso e idade, evitando extremos: nem permitir que a fêmea chegue à monta subdesenvolvida, nem que emprenhe muito jovem, o que pode comprometer seu tamanho adulto e sua capacidade produtiva. O peso ideal para a primeira cobertura gira em torno de 60 a 65% do peso adulto da raça, o que exige planejamento nutricional desde a desmama.

Após a desmama, especialmente no período seco, a alimentação diferenciada é determinante. É comum que novilhas sejam tratadas como “categoria secundária”, recebendo sobras ou pastos de baixa qualidade. Essa prática compromete o ganho médio diário (GMD) e atrasa a entrada na estação de monta. Ganhos inferiores a 500 g/dia nessa fase reduzem drasticamente a taxa de prenhez, enquanto ganhos acima de 650 g/dia elevam significativamente a precocidade. A relação é clara: mais arrobas na recria significam mais prenhez e menos tempo improdutivo (Tabela 1). Grupos de novilhas com GMD de 0,595 kg/dia, 60 dias antes do acasalamento, apresentaram apenas 30% de prenhez, enquanto aquelas com 0,723 kg/dia chegaram a 50%. Essa diferença, aparentemente pequena, representa meses de antecipação no primeiro parto e maior eficiência no sistema.

Tabela 1 - Ganho diário médio (GDM) 60 dias antes do acasalamento, peso no início do acasalamento (PIA), escore de trato reprodutivo (ETR) e taxa de prenhez (TP), em novilhas de corte (Montanholi et al, 2004).



Outro ponto relevante é que o manejo nutricional adequado na recria não apenas antecipa a idade ao primeiro parto, mas também influencia a longevidade produtiva da matriz. Fêmeas que entram no ciclo reprodutivo com bom escore corporal tendem a manter intervalos entre partos mais curtos e maior persistência na lactação, garantindo bezerros mais pesados ao desmame. Essa vantagem se acumula ao longo dos anos, tornando o investimento inicial na recria um dos mais rentáveis dentro do sistema de produção.

Para alcançar esses índices, é necessário ajustar a lotação, garantir suplementação estratégica e monitorar o escore corporal. O investimento nessa fase retorna em forma de maior taxa de prenhez, menor idade ao primeiro parto e maior produtividade ao longo da vida útil da vaca. Em sistemas bem manejados, é possível reduzir em seis meses a um ano a idade ao primeiro parto, o que significa menos custo fixo e mais receita antecipada.

Além dos aspectos nutricionais e do manejo, é fundamental considerar o papel da sanidade na recria de fêmeas. Animais saudáveis apresentam melhor conversão alimentar e maior eficiência reprodutiva, pois doenças subclínicas podem comprometer tanto o ganho de peso quanto o desenvolvimento do trato reprodutivo. A adoção de protocolos de vacinação, vermifugação e monitoramento constante do rebanho reduz perdas silenciosas e potencializa os resultados obtidos com a nutrição e o manejo. Dessa forma, investir em sanidade é garantir que todo o potencial genético e produtivo das novilhas seja plenamente expresso, contribuindo para mais arrobas e maior precocidade no sistema.

A reflexão que fica é simples: recria não é um período de espera, mas de construção. Cada arroba ganha nessa fase é um passo para transformar uma novilha em uma matriz produtiva mais cedo. Ignorar essa lógica é manter capital imobilizado no pasto. Planejar, investir e acompanhar são ações que diferenciam propriedades eficientes das que apenas sobrevivem. Afinal, na pecuária eficiente, tempo é dinheiro e peso é precocidade.

 


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